Lançado “Ano da Gastronomia de Macau” após reconhecimento pela UNESCO

Após o reconhecimento pela UNESCO, foi lançado o “Ano da Gastronomia de Macau”, uma iniciativa inserida num plano a quatro anos para “forjar uma Cidade Criativa” à boleia da designação recém-atribuída.

“2018 é um ano oportuno para tirarmos partido da nova designação de Macau como membro da Rede de Cidades Criativas da UNESCO na área da Gastronomia para ampliar a promoção da nossa cidade como um destino culinário”, afirmou o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, que presidiu à cerimónia de lançamento da iniciativa.

Macau entrou para a Rede de Cidades Criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) na área da Gastronomia em 31 de Outubro de 2017, tornando-se na terceira cidade na China, a seguir a Chengdu e Shunde, a conquistar tal feito.

O vice-director-geral da UNESCO, Getachew Engida, esteve presente na cerimónia, durante a qual entregou em mãos a placa da distinção atribuída pela organização. “A gastronomia sempre ocupou um lugar especial na cultura e tradições de Macau”, afirmou, dando exemplos de iguarias, como o “famoso pastel de nata português”, que, a seu ver, “ilustram na perfeição a cultura singular” do território que representa “uma harmoniosa fusão entre o Oriente e o Ocidente”.

“A gastronomia não é apenas uma parte integrante da identidade cultural de uma cidade”, mas é “também um forte motor de desenvolvimento económico sustentável e de coesão social”, sustentou.

Para o vice-director-geral da UNESCO, o “Ano da Gastronomia” também “vai proporcionar uma oportunidade para Macau desenvolver a cooperação regional e internacional com parceiros dentro e além da rede, fortalecendo a sua reputação como destino gastronómico”.

O “Ano da Gastronomia” é apresentado como “um dos destaques do plano de trabalho de quatro anos para erguer uma Cidade Criativa” a esse nível, dividido em seis grandes categorias, com a primeira a prever a criação de uma entidade de gestão e supervisão, a ser liderada pelo secretário da tutela.

Ampliar a divulgação e promoção de Macau como Cidade Criativa na área da Gastronomia é outro dos objectivos, com o Governo a ponderar, por exemplo, adicionar percursos gastronómicos aos roteiros turísticos “Sentir Macau passo-a-passo”.

Outro dos pontos-chave passa pela formação, estando a ser planeada a construção de um centro de ensino técnico-profissional, onde vão ser disponibilizadas ações de formação no ramo. Já ao nível do ensino superior, o Instituto de Formação Turística (IFT) iniciou os preparativos para a criação de um “centro culinário”.

Em paralelo, vai ser criada uma base de dados sobre os pratos de comida macaense “para preservar a história, receitas e técnicas culinárias”.

O plano prevê ainda um reforço da cooperação com as outras cidades criativas da China, além de ações de intercâmbio entre instituições de ensino superior da Rede de Cidades Criativas da UNESCO, em cuja reunião anual, prevista para junho, na Polónia, Macau vai participar.

Cooperar com o sector da restauração e com profissionais de culinária para impulsionar em conjunto o desenvolvimento de carreiras na indústria e impulsionar e incentivar a cooperação inter-sectorial das indústrias culturais e criativas estão também entre os objectivos. “Estamos plenamente cientes de que criar uma Cidade Criativa da UNESCO em Gastronomia é um projecto que requer o envolvimento de toda a cidade. É um trabalho que requer a enfatização da visão da rede para um desenvolvimento urbano sustentável, gerando mudanças que vão além da gastronomia e do turismo”, realçou Alexis Tam.

“É por este motivo que lançamos oficialmente uma grande diversidade de iniciativas e actividades a nível local e no exterior, não meramente para celebrar a designação, realçando a nossa cultura gastronómica, mas também para acelerar a participação local na adopção dos objectivos da rede mediante uma capitalização das oportunidades que se abrem”, frisou.

2018-01-18
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