Apresentação | Ficha Técnica | Contactos | Assinaturas | Locais de Venda | Vendas Online | Links
 

  
  
      registe-se
registo automático
Procurar na Revista Macau    
pequeno grande          
O equilíbrio da vida

O equilíbrio da vida

Numa das velhas zonas da cidade de Macau, onde ainda estão abertas lojas de pequenos comerciantes, em espaços estreitos e compridos, como se as fachadas pagassem impostos pela largura, há uma pequena farmácia chinesa, cheia de velhos móveis de madeira recheados de pequenas gavetas quadradas com puxadores de metal polidos de muito uso

O que nós teríamos em casa como móvel de decoração, o senhor Chan, farmacêutico, na casa dos sessenta, ainda vê um instrumento de trabalho.

Algumas das gavetas não têm etiquetas. Não é necessário, já que Chan há mais de 20 anos que as abre e fecha com gestos habituados. Já sabe de cor onde está o quê.
Para além dos armários, logo à entrada da farmácia está um balcão de vidro, quase opaco devido ao pó, recheado de ervas, plantas, produtos não identificáveis, orgânicos e secos, e pacotes de cartão com instruções escritas em chinês.

Chan trabalha sozinho. É médico e farmacêutico e o que mais impressiona na sua loja é a passagem do tempo. Tudo é antigo, velho mas bonito. Um museu onde tudo pode ser tocado.

Os ingredientes nas pequenas gavetas parecem igualmente bem tocados pelo tempo. Queremos pensar que a idade potencia o seu valor curativo.

Nas paredes estão alguns mapas do corpo humano pejados de linhas, assim como amostras de chifres de veado.

Na medicina tradicional chinesa usam-se praticamente todas as partes dos animais. Nada se desperdiça, tudo tem um lugar na lógica da cura.

No entanto, não se pode entrar numa farmácia destas e pedir um medicamento para curar a gripe. Não é assim que funciona este ramo da medicina alternativa que está a conquistar adeptos em todo o mundo, e cada vez mais.

Na medicina tradicional chinesa “o corpo humano está no centro do diagnóstico, ao invés da doença. O objectivo não é combater a patologia, se disso se trata, mas de devolver o organismo ao seu equilíbrio inicial, na forma do yin e do yang, utilizando técnicas de análise e de combate fruto de analogias com a natureza”, disse à Revista MACAU Cheong Weng Heng, um médico especialista, formado em Xangai e que teve como mentor profissional um dos 100 reconhecidos mestres em medicina tradicional chinesa na China.

Com 28 anos, Cheong é também o vice-presidente da Associação de Farmácia de Medicina Chinesa de Macau, um organismo que enquadra os profissionais médicos, os farmacêuticos e todos os que estão ligados à indústria da medicina tradicional chinesa em Macau.

Cheong pertence à “novíssima” geração de médicos que estudam igualmente áreas da medicina ocidental como complemento da educação académica

Cheong pertence à “novíssima” geração de médicos que estudam igualmente áreas da medicina ocidental como complemento da educação académica. “Elas hoje completam-se”, garante. “Há mesmo médicos de medicina tradicional chinesa que, sem dominarem algumas técnicas chinesas para o diagnóstico, recorrem à medicina ocidental”, acrescenta.

Era vulgar, há centenas de anos, os médicos chineses utilizarem a intuição e uma espécie de sexto sentido para identificar a maleita do corpo.

Uma “técnica” que fez parte dos primórdios da medicina da China, afirma Cheong, “muito baseada na analogia presente na filosofia e reflectida na ideia de integração entre os céus e os seres humanos”.

A título de exemplo, explica, “antes de existirem os médicos chineses enquanto grupo social claramente definido, existiam os homens religiosos que também eram os médicos. Muitas vezes eles aconselhavam os imperadores nas doenças e nas orações, por vezes sem qualquer lógica ou resultado”.

Mas hoje em dia, garante-nos Cheong, existe um enfoque científico à medicina tradicional chinesa que lhe faltava.

“Muitos dos seus produtos estão a ser testados para serem transformados em medicamentos pela comunidade médica ocidental, como a artemísia, uma planta do mesmo grupo do estragão e do absinto, alegadamente com excelentes propriedades para combater infecções”.

Os próprios profissionais tentam criar o equivalente a “remédios”, afirma Cheong, para que as pessoas possam levar para casa. “Procuramos técnicas que nos permitam economizar horas de cozedura dos chás e caldos medicinais, conservando o produto ao longo de vários dias”, concluiu.

As técnicas da medicina tradicional chinesa estão a ser aplicadas em paralelo com as técnicas ocidentais; muitos hospitais no mundo inteiro já têm áreas de medicina tradicional como complemento aos tratamentos que oferecem para determinados problemas.

No entanto, quando se entra num consultório médico chinês, ou farmácia, dão-se os pulsos para serem apalpados em três pontos invisíveis em cada um deles, mostra-se a língua e respondem-se a algumas questões. Pelo ar do doente, pulsação e língua pode-se saber “quase tudo” sobre a pessoa.

Cheong garante-nos que os mais louváveis dos mestres chineses em medicina tradicional , nos tempos idos, “porque hoje já ninguém é capaz de fazer isso”, eram capazes de, apenas com o olhar, decifrar o que ia no corpo dos seus pacientes.

“Esses eram os mestres da velha escola, de há várias gerações. Eles tinham de ser sábios e médicos, estudavam e eram a nata da classe. Hoje não há um único com uma técnica tão apurada e certeira”. O jovem médico acredita no que leu nos livros sobre esses homens sábios.

Por outro lado, Chan, o senhor da farmácia que parece um museu, que estudou as técnicas da medicina tradicional chinesa na China seguindo velhos mestres, também é adepto da medicina ocidental “Não tenho absolutamente nada contra, também recorro aos medicamentos de vez em quando, no entanto, tento sempre resolver os meus problemas com o material que aqui tenho”.

No entanto, em relação aos ocidentais que hoje em dia estudam a medicina tradicional chinesa e abrem centros na Europa e nos Estados Unidos, Chan mostra desconfiança. “Não é só uma questão de aprender a usar os ingredientes ou a cozer os chás. Há que saber estudar os clássicos, conhecer a cultura, saber estudar. Se não se fala e lê chinês, como é isso possível? É sempre um processo de conhecimento que fica a meio”.

Cheong, o jovem médico, não gosta de falar em divisões, apenas em formas diferentes de abordar a mesma questão. “A medicina tradicional chinesa usa a razão e a medicina ocidental segue o sintoma”.

No entanto, afirma que na medicina tradicional chinesa raramente há efeitos secundários relacionados com o tratamento, enquanto na medicina ocidental esses casos são comuns.
Ainda hoje em dia, acrescenta, “os médicos de medicina tradicional chinesa são mais baratos do que os da medicina ocidental, porquê não sei, mas sempre foi assim, desde sempre. Talvez por isso os chineses ainda hoje preferem os seus médicos, são mais baratos e estão mais familiarizados com os remédios e formas de diagnósticos”.

Nenhuma doença é impossível de tratar

O principal objectivo da medicina tradicional chinesa, recorda Cheong, é o restauro do equilíbrio natural e das funções do corpo humano, onde todas as coisas têm de ter um “acordo” no mundo natural. “O organismo humano é calcado da natureza”.

Acredita-se que existe um espaço “extra” corpo humano que é preenchido ou invadido por “factores patogénicos”. A forma de os remover é tomar medidas que preencham esse espaço expulsando os factores negativos. De acordo com Cheong, nenhuma doença na “é impossível de tratar, nunca apareceu nenhum relato de algum mal sem tratamento, no entanto, também não se pode dizer que a cura definitiva existe”.

E acrescenta: “o resultado é melhor por causa dos efeitos secundários praticamente inexistentes, embora o processo de tratamento possa levar mais tempo do que na medicina ocidental”.

Chan, o farmacêutico septuagenário, ri-se quando lhe falamos do tal espaço “extra” que os agentes patogénicos ocupam no nosso corpo. “Para o bicho entrar há que existir um espaço onde ele se instala”.

Os pulsos, os pontos fulcrais, a acupunctura e a moxibustão são a base desta sabedoria milenar que tem no qi (lê-se chi e representa a energia vital) a fonte do bem estar e da vida fluida, e no yin e yang o equilíbrio necessário.

O jovem médico explica-nos que as doenças podem ser frias ou quentes. Na concepção humana da medicina tradicional chinesa, o corpo tem canais e meridianos energéticos que conduzem o qi, sem a qual existe apenas a morte, e a forma correcta de estimular o organismo conduz ao reajustamento dos fluidos sanguíneos e, acima de tudo, da circulação sem entraves do qi, que utiliza esses meridianos como canais de transporte.
Isto leva-nos à farmácia de Chan, onde alguns dos mapas que estão colados às paredes falam precisamente dessa energia vital - qi - e dos caminhos que ela percorre no corpo.
Cheong também tem dois modelos de um corpo humano percorridos longitudinalmente por pontos e sinais, identificados com caracteres chineses e com números e letras, “para os médicos que não sabem ler chinês, mas praticam a acupunctura”.

Perguntámos a Chan o que pensa do qi. “Sem o qi não há nada. Tudo anda à volta do qi. As doenças devem-se à não correcta circulação do qi”. É como o sangue? “Mais importante do que o sangue”, disse Chan.

Interrupções na sua circulação do qi originam doenças físicas, mentais e mesmo distúrbios emocionais, adverte Cheong, que nos definiu o qi como o “fazedor de sangue”, ao afirmar que o sangue tem muitos qi e o qi é o “bom ar”.

Diagnósticos e tratamentos

O tratamento é sempre feito tendo em conta que cada doente é único, assim como cada doença.

Cheong ainda não passou duas receitas iguais e encara esse facto com um certo fascínio. “Dois doentes vêm cá com dores de garganta e saem com receitas diferentes”.

Como se parte do princípio que o desequilíbrio de um doente não é idêntico ao de outro, simplesmente por não existirem dois seres humanos iguais, as maleitas, por muito que apresentem os mesmo sintomas, terão origens ou tratamentos diferentes.

“É esta a diferença. Não receitamos comprimidos para as dores de cabeça, receitamos uma mistura de vários produtos que devem ser cozinhados, regra geral, e que reagem para reequilibrar o corpo”, concluiu Cheong.

Para o professor Xiang Ping, responsável pela Faculdade de Medicina Tradicional Chinesa da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, “este ramo da medicina dedica-se a uma visão macro do organismo e dá muita importância ao uso de produtos naturais”. O académico acrescenta que “a medicina chinesa é boa para lidar com questões da saúde do dia-a-dia, restaurar estados anteriores, para o tratamento de viroses, doenças do foro geriátrico, ginecológico ou intestinais, enquanto a medicina ocidental é muito boa no tratamento do aparelho (corpo humano), no tratamento em casos de emergência e nas operações cirúrgicas”.

As doenças

Os síndromas da doença são classificados em termos de deficiência, excesso, frio ou quente.

Há receitas que são usadas para várias doenças, por estas terem origens idênticas, embora manifestações diferentes.

É muito comum ouvir-se dizer que se tem “ar quente” no corpo, parte das doenças “quentes”. Cheong explica-nos de onde vem essa ideia. “A dor de garganta é sempre uma manifestação de ar quente. Tem a ver com o estômago. Imagine que o estômago é uma garrafa onde todos os dias colocamos comida. Essa comida é transformada, uma parte dos seus ingredientes é canalizada para os pulmões. Suponha que há um problema e a comida estraga-se na garrafa. É o mesmo que ter ar “estragado” a entrar nos pulmões. Esse ar estragado é o “ar quente”.

O médico concluiu, “é tão simples quanto isso. A comida estraga-se, cheira mal, pode dar azo ao mal hálito, o ar quente, como sobe, sobe para os pulmões e para o esófago”.
Quanto às doenças frias, estão relacionadas com o tempo frio. Exemplo: “O sangue é quente, para quem tem pouco sangue, ou problemas de circulação, em tempo frio, o suor, que arrefece rapidamente à superfície da pele, torna as extremidades do corpo frias”. Isso é uma doença fria.

Estes problemas de saúde podem ser facilmente “curados” com chás medicinais. “Normalmente cozem-se os ingredientes durante uma hora e depois bebe-se logo a seguir”, acrescenta Cheong.

O professor Xiang Ping disse-nos que, por exemplo, o vírus da hepatite é facilmente controlado pela medicina tradicional chinesa, enquanto a medicina ocidental considera-o um “problema” de difícil solução. “A hepatite é tratada de forma satisfatória com os métodos tradicionais chineses, tal como as doenças sanitárias e as intestinais”. Daí que o académico defenda que deve existir uma cooperação bilateral entre as duas medicinas, “facto promovido pelo Governo chinês”, para que ambas aprendam uma com a outra. “Há que usar as forças de cada uma e ignorar os pontos fracos”. Há mais de dez mil plantas estudadas e identificadas para uso na medicina tradicional. Segundo Cheong, cada região da China utiliza o seu leque próprio de plantas, “cada médico não deve utilizar mais de 300, que são mais que suficientes para responder às necessidades. Cada região impõe constituições físicas diferentes, assim como climas diferentes, que implicam o uso de ervas e plantas autóctones adaptadas”. A medicina tradicional, diz-nos, é também muito boa no tratamento de desequilíbrios do foro psicológico, como as fobias. E dá exemplos: “Em duas semanas fomos capazes de tratar e eliminar as fobias de um indivíduo”. Neste caso, Cheong refere-se à fobia da condução. Um paciente submeteu-se a um tratamento com chás de ervas e plantas durante duas semanas e acabou por voltar a conduzir um carro. “A depressão é outra área onde a MTC actua com eficácia”, acrescenta o jovem médico, especializado neste tipo de doenças. “Com as técnicas da medicina ocidental uma depressão normalmente é “atacada” durante três meses, mas por vezes o tratamento pode levar anos. Não encaramos a possibilidade de doenças que exijam um tratamento para o resto da vida, tentamos combatê-la restaurando o equilíbrio do doente”. O jovem médico fez questão de recordar que a depressão foi identificada pelos métodos de medicina tradicional chinesa há pelo menos dois mil anos. “Chás e acupuncturas, é com isso que tratamos uma depressão”. O velho farmacêutico, Chan, conhece de memória umas trezentas plantas, ervas e outros produtos orgânicos, mas não usa mais de 100. “Alguns sintomas são constantes, as pessoas cada vez mais acusam os mesmos sintomas. Hoje em dia muita gente prefere ir directamente ao hospital, em vez de estar a tomar chás e comer ervas”. Porquê? “Porque é muito mais rápido, por vezes mais barato. Só quando os médicos dos hospitais não conseguem curar, então as pessoas vêm cá à procura de resultados”. Mas nem todos são tão negativos como Chan. Em Macau o recurso à medicina tradicional chinesa tem um lugar muito especial junto das comunidades chinesa e macaense. Cheong não vê o fim da prática, antes pelo contrário - o início do “boom”: “Muitos estrangeiros procuram-me, especialmente devido a problemas com as costas e com a coluna e recorrem ao uso da acupunctura e da moxibustão. Cada vez há mais estrangeiros”.

Chá de ervas amargo

Os chás de ervas escuros, quase pretos, muito amargos, com um cheiro fortíssimo e muito quentes, servidos em chávenas de loiça ou copos de esferovite brancos e tampa de plástico opaca “são tomados com muita frequência no dia-a-dia para tirar o calor do corpo, evitar borbulhas ou mesmo limpar as tripas”, afirmou uma jovem macaense, funcionária pública, que encontrámos numa farmácia chinesa da avenida Horta e Costa.
Esta via está localizada numa das zonas mais densamente frequentadas de Macau, com uma forte presença da comunidade chinesa e onde ainda funcionam muitas lojas do comércio tradicional. A farmácia é uma delas.

Sendo um ponto nevrálgico da cidade, a farmácia que visitámos está sempre cheia - de transeuntes que se lembram de uma maleita quando passam pela sua porta ou de clientes tradicionais e “certeiros” que uma vez ou duas por semana lá vão para se estimularem com dois dedos de conversa.

Colocados no fundo da sala estão pequenos bancos com tampo de madeira e estrutura de ferro, desses desdobráveis e redondos muito comuns em Macau, para servir os que aproveitam um intervalo para beber um chá desses amargos, depois do almoço ou antes de ir para casa.

Quisemos saber junto do dono da farmácia quais os produtos adequados para determinadas doenças ou maleitas. Ele riu-se, “é tão complicado que nem sei por onde começar”, e acrescentou, “não se meta nisso, é muito maçador”.

Receitas na medicina tradicional chinesa

A medicina tradicional chinesa considera que o beribéri, uma doença que provoca flacidez nos dentes devido à falta de vitamina B1, é provocada por excesso de água e humidade no corpo e que esses factores vêm da Terra.

Por conseguinte, a miocardite, ou seja a inflamação do miocárdio por falta de vitamina B1, é uma “invasão de beribéri” no coração.

Conclusão: os doentes com beribéri não devem comer arroz e apenas tomar alimentos feitos com outros farináceos que não de arroz, porque os arrozais crescem na água e o beribéri é causado por uma invasão de água e humidade no corpo. A mesma receita pode ser aplicada para quem sofreu uma inflamação do miocárdio.

Curiosamente, na medicina ocidental, arroz refinado tem falta de vitamina B1, enquanto a farinha é rica nessa vitamina. Para Cheong, “são formas diferentes de se chegar à mesma conclusão”.

Quando se passam receitas na medicina tradicional chinesa, a regra mais importante é a que coloca uma ordem às plantas demais ingredientes, classificando-os por “monarcas, ministros, assistentes e guias”.

Uma planta ou erva monarca é o elemento chave da receita, que exerce o efeito “curativo”, enquanto o “ministro” serve para promover a função do “monarca”.
Cheong segue a regra à risca, porque “houve um caso de um médico japonês que por negligência matou um doente por ter receitado um tratamento com doses e ordens de hierarquia de plantas medicinais incorrectas”.

Os “assistentes” são plantas ou ervas que fortalecem os efeitos da receita e restringem os efeitos tóxicos dos ingredientes, enquanto os “guias” indicam a direcção aos restantes ingredientes.

Regressámos à farmácia chinesa da avenida Horta e Costa, onde os enormes jarros de vidro transparente que preenchem todas as prateleiras até ao tecto estão cheios de matéria médica seca, com formas, cores e cheiros variados – são ervas e plantas para todos os preços.

Desde dezenas de patacas por onça (sensivelmente 28 gramas) a centenas, até milhares de patacas. (oito patacas são um dólar norte-americano).

Reparámos num frasco contendo o que parecia ser uma espécie de alga redonda, amarela, do tamanho de uma mão adulta “cheia”, muito parecida com uma esponja para ser usada durante o banho.

“Quanto mais feias, melhores. Esta é uma alga bonita”, afirmou o dono da farmácia. Quer isso dizer que é das mais baratas. “A alga serve para retirar o “ar quente” que entra no corpo, acrescenta o proprietário”.

Pode ser cozida num caldo, ser consumida muito doce, numa espécie de calda, e para além do “ar quente”, a alga também serve para limpar o organismo humano.

Cólicas

Para quem tem cólicas e não sabe o que fazer, a farmácia da Hora e Costa sugere as pequenas flores com pétalas brancas e pólen amarelo. Bebe-se depois de preparada numa infusão, é boa para limpar o “calor” do corpo e eliminar furúnculos ou infecções, para além de contribuir para o alívio dos intestinos.

Problemas de rins, pulmões, impotência ou tosse

Neste caso um caldo de roedor seco com carne de porco parece ser a solução. Trata-se de um animal muito comum na China, que vive em árvores. O Kâp Kwâi, na transcrição fonética para o cantonense, vende-se inteiro, e é muito caro. Na região é mais conhecido pelas suas propriedades a favor da virilidade.

Problemas com a espinha dorsal e desempenho sexual

Neste caso a sugestão vai para o rabo de veado. Tal como o Kâp Kwâi, o rabo de veado por ser consumido num caldo preparado com carnes brancas ou magras.

Rejuvenescer a pele, problemas da menopausa

Sugere-se a ingestão de ninho de andorinhas, que na realidade são baba de andorinha. Extremamente caro, o produto pode ser transformado num caldo ou cozido em calda de açúcar e tomado como uma sobremesa. Regra geral, diz o dono da farmácia da Horta e Costa, “é bom para as mulheres manterem a sua juventude”.

Existe um outro produto muito mais barato no mercado, muito consumido também na China. O chá verde, com propriedades anti-oxidantes, que promovem a regeneração da pela e evitam o envelhecimento das células.

Cancro

Cheong falou-nos de um caso que chamou a atenção da comunidade médica local, relacionado com um doente diagnosticado com cancro no fígado. De acordo com o jovem médico, o paciente foi dado como “perdido” quando lhe chegou “às mãos”.
O fígado do doente estava inchado e naturalmente disfuncional. Foi-lhe receitado um emplastro composto por ervas e um fungo muito caro, “Lêng Chi”, conhecido pelas suas propriedades anti-cancerígenas, para ser colocado sobre a pele, na área junto ao órgão afectado.

“Parece inacreditável, mas o doente submeteu-se ao tratamento, todos os dias, e ao fim de várias semanas confirmámos que o fígado voltou ao tamanho que nos parece natural. Para já está recuperado, não houve reincidências”.

Esse fungo assemelha-se a um enorme cogumelo preto, que se vende seco e em lascas ou inteiro.

Cavalos marinhos e Cordyceps

Cheong também aconselha cavalos marinhos para quem quer aumentar a sua virilidade. Estes podem ser cozinhados só com carne, num caldo.

O ingrediente mais caro vendido pelo consultório de Cheong é um fungo: Cordyceps: “É excelente para proteger os rins e os pulmões. Os rins têm tudo o que é bom para o corpo humano, são órgãos muito importantes, sem eles o homem morre”, acrescenta. Cada grama custa mais de mil patacas.

Existe um outro produto muito popular para os males de estômago, umas raízes de árvore laminadas e brancas. “Juntam-se a uma canja, por exemplo”, diz Cheong, ou “cozem-se juntamente com outros ingredientes nos chás medicinais”, acrescenta.
No fim da “consulta” com Cheong, perguntámos o que faz quando se sente mal. “Normalmente consigo perceber o que se passa com o meu corpo”, afirmou. “Mas, se tenho dúvidas, e porque não posso sentir o meu pulso de forma correcta, procuro um colega”.

Um médico ocidental ou da medicina tradicional chinesa? “Depende”. Então e a medicina tradicional chinesa? “Tomar medicamentos não é mau, depende apenas do mal!”.

Os cinco elementos e os órgãos humanos
Relação das doenças com os elementos


  IV Série - N° 8
  



Apresentação | Ficha Técnica | Contactos | Assinaturas | Locais de Venda | Vendas Online | Links