Quinta-feira, Outubro 22, 2020
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O Brasil de cá e o Brasil de lá

 

 

O primeiro sinal de que estávamos no Brasil em visita oficial foi a segurança posta ao dispor da Comunicação Social, logo à saída do aeroporto, em São Paulo: um autocarro só para jornalistas, com uma equipa de seguranças brasileiros.

Dizem os números que o País já foi mais inseguro mas, tratando-se de uma comitiva oficial, nunca fiando… E o Brasil continua a ser essa terra imensa de grandes contrastes, onde a opulência de alguns edifícios e das moradias de luxo convivem lado a lado com as favelas. Se na zona de São Paulo está concentrada a riqueza ou, a grande metrópole continua a não ser uma cidade atraente.

De que falamos, afinal, quando falamos da riqueza do Brasil? Do primeiro país da América Latina em peso económico; da nona maior potência económica mundial, na qual os serviços, a indústria, a agricultura e a pecuária constituem os sectores-chave da economia; do país mais importante membro da MERCOSUL, mercado único que reúne alguns países da América Latina; da maior potência militar da zona e do líder regional em termos tecnológicos; de um dos dez países mais fortes do mundo na indústria turística.

Na estratégia definida por Pequim e pelo Governo de Macau quanto às relações com os países de expressão portuguesa, o Brasil surge pois como uma prioridade. E esta visita deu frutos, face à atenção que as autoridades brasileiras dispensaram a Edmund Ho e sua comitiva.

 

São Paulo, centro de negócios

 

São Paulo fervilha de novos investimentos estrangeiros. A cidade continua a crescer para fora das suas avenidas tradicionais e da sua centralidade, o que adensa a sensação de estarmos numa grande metrópole. Mas é também desordenada, escura, quase desinteressante, ao mergulhar-se nas franjas da sua poderosa cintura industrial.

Querer fazer negócios no Brasil e esquecer São Paulo não faz qualquer sentido. Edmund Ho almoçou com homens de negócios paulistas, que olham para Macau não apenas como porta para a China mas também como destino final de investimentos. A Casa de Macau de São Paulo, a maior entre as suas congéneres em todo o Mundo, aproveitou a oportunidade para assinar diversos acordos de cooperação cultural e empresarial. Frederico Martins, empresário macaense há muito radicado no Brasil, assinou entre a sua empresa e a Associação Comercial e Internacional para os Mercados Lusófonos, prevendo a importação e a exportação, entre outros, de produtos alimentares e de peles.

Os ecos do “mensalão”, alegado caso de corrupção que na altura agitava a política brasileira, acabaria por marcar a visita da delegação de Macau a Brasília, capital do País, essa cidade desenhada a régua e esquadro onde a água, o cimento, a floresta e o mato – sim, o mato! – se entrelaçam num cenário deslumbrante que nos remete para outro imaginário: o de como deveriam ser as cidades…

A cidade fervia politicamente falando. Várias manifestações de cariz social e político polvilhavam o quotidiano. Mas o Governo brasileiro manteve os seus compromissos com a comitiva macaense e o Presidente Lula da Silva recebeu Edmund Ho, a quem prometeu investimentos brasileiros em Macau, nomeadamente nas áreas dos cimentos e da construção civil. Mais tarde, o ministro brasileiro da Indústria e Desenvolvimento mencionaria a hipótese de negócios no sector dos transportes movidos a álcool, aposta de longa data que vingou no Brasil.

Quando pela primeira vez estive no Brasil, em 1998, o parque automóvel era essencialmente brasileiro e os hotéis de qualidade contavam-se pelos dedos. Agora, as unidades hoteleiras em que ficámos eram quase todas de grande qualidade. O turismo não é só praias e as garotas de Ipanema, como muito bem perceberam as autoridades brasileiras…

Na floresta amazónica, no Brasil de lá, o que está longe e tem outro ritmo, uma pessoa sente-se esmagada com a imponência e a vastidão de recursos naturais. A China, atenta neste campo, construiu na zona diversas fábricas, onde é possível encontrar cidadãs chinesas a servirem de intérpretes e que falam um português do Brasil impecável.

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