Segunda-feira, Agosto 3, 2020
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Motor de busca a dois tempos

 

 

O Centro de Investigação para Tecnologias Interactivas (CITI) da Universidade Nova de Lisboa está a desenvolver um motor de busca informático para aproximar emppresários e investidores chineses e europeus. O Euro China Global Info (ECGI) “pretende dar resposta à necessidade da Europa e da China encontrarem um ponto comum no ciberespaço, no qual o interesse negocial fomente a iniciativa”, explica o director do CITI, Carlos Correia.

Na prática, o ECGI vai facilitar o contacto entre empresários de ambos os lados, na medida em que as necessidades de cada um podem ser colmatadas através do estabelecimento de parcerias e trocas comerciais. Para melhor compreender esta ideia, Carlos Correia dá como exemplo o sector da indústria automóvel: “Imaginemos que um empresário chinês procura na Europa um fabricante de assentos para um modelo que venha a construir. Ora, se fizer uma pesquisa na nossa base de dados, encontrará rapidamente um parceiro em Portugal ou em qualquer outro país da União Europeia”.

O EGCI irá contar com a colaboração permanente de vários grupos espalhados pelos 25 países da Europa comunitária, cuja função passará pela recolha, tratamento e organização da informação. No que respeita à China, será criada uma plataforma semelhante, para que também os empresários do “Velho Continente” possam procurar potenciais parceiros a Oriente. À semelhança de outros motores de busca, este estará acessível ao grande público, embora a maioria da informação seja reservada aos assinantes. “Queremos dar uma resposta gratuita e universal para que as comunidades saibam quem somos e o que estamos a fazer. Mas também rentabilizar a nossa informação, sendo esta a parte que vai alimentar e sustentar o projecto”, sublinha o director do CITI.

Até ao momento foram dados alguns passos importantes para a concretização destas ideias, cujas linhas orientadoras já foram apresentadas nas instâncias europeias. O interesse demonstrado por Bruxelas levou a que tenha sido dada luz verde ao desenvolvimento de um protótipo, que será posteriormente avaliado por uma universidade independente. Cumpridas todas as etapas da sua construção, o ECGI irá ser explorado pelo sector privado.

O centro nevrálgico desta base de dados estará situado no ciberespaço, sendo controlado por vários núcleos distribuídos entre a Europa e a China. Numa primeira fase, a Universidade de Macau será a única entidade responsável pelas operações a Oriente, até que Pequim e Xianmen estejam em condições de integrar a rede.

Segundo Carlos Correia, “a diferença entre o Euro China Global Info e outros motores de busca conhecidos no mercado prende-se com o facto deste permitir uma resposta mais personificada e directa às necessidades. Sempre que pesquisamos no Google ou no Yahoo deparamo-nos com muita informação que não nos interessa. O que pretendemos é construir uma base muito mais pequena, de modo a dar às pessoas apenas aquilo que procuram. Suponhamos que a União Europeia leva um projecto a concurso. Uma vez implementado, o ECGI dará aos empresários toda a informação vital para que, no momento certo, possam formar uma joint-venture e apresentar a sua proposta. Hoje em dia os projectos ganham-se assim”.

A médio prazo, Carlos Correia admite a hipótese de expandir o ECGI a outros continentes, uma vez que Portugal e Macau mantêm relações privilegiadas com o mundo lusófono. Estão aliás previstos contactos com instituições no Brasil, em Angola e em Moçambique, com o intuito de avaliar aqueles mercados. “Num futuro próximo, a Europa e a China também poderão procurar um parceiro na América Latina ou em África. No dia em que conseguirmos criar um triângulo comercial entre os vários continentes daremos este projecto por concluído”.

 

Coincidência ou estratégia?

 

O Euro China Global Info foi apresentado na RAEM, no passado mês de Dezembro, durante os trabalhos do XI Congresso da Associação de Imprensa Portuguesa.

Dedicado ao tema “Os Media e os Desafios da Sociedade de Informação”, este encontro contribuiu também para que fossem dados a conhecer novos projectos, entre os quais o ECGI.

A divulgação do motor de busca coincidiu com a última visita oficial do primeiro-ministro chinês a Portugal, durante a qual Wen Jiabao enalteceu o papel de Macau e de Portugal nas relações entre a China e os países lusófonos. “Do ponto de vista geopolítico, esta coincidência foi bastante interessante. Macau apercebeu-se da importância de se realizar o congresso nesta altura e esteve excepcional em todos os aspectos”, concluiu Carlos Correia.

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