Terça-feira, Junho 2, 2020
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História de um jubileu

A 28 de Março de 1981 nascia a Universidade da Ásia Oriental, visando sobretudo potenciais alunos de Hong Kong, uma vez que, à altura, não era permitida a abertura de mais universidades no território vizinho. Tinha por accionistas empresários de Hong Kong, mas também alguns de Macau. O Governo de Macau apoiou o projecto cedendo o terreno no qual se ergueu a célula base da Universidade da Ásia Oriental. A universidade funcionou com programas curtos, de fim-de-semana, ou de Verão, destinados a alunos de Hong Kong, embora tivesse já alguns cursos de três anos seguindo o modelo britânico. Assim operou durante cerca de cinco anos, pouco ou nada beneficiando a população local, não só pelos preços praticados como pelas áreas académicas disponíveis. Os residentes de Macau que queriam prosseguir estudos para além do ensino secundário, continuavam a ter de procurar universidades estrangeiras ou em Portugal, o que não era acessível para todos.
Ao ser assinada a Declaração Conjunta Sino-portuguesa, em 1987, Macau despertava para a necessidade de formar quadros superiores locais que garantissem a governação e administração do território após a transferência de poderes em 1999. Restavam 12 anos para formar aqueles que iriam assegurar o funcionamento de Macau nos moldes estabelecidos e acordados entre a China e Portugal .

A transição

Criar uma nova universidade poderia atrasar ainda mais todo o processo formativo. A solução encontrada pelo Governo foi a compra da Universidade da Ásia Oriental, através da Fundação Macau, o que aconteceu em 1988. Manteve-se o mesmo nome, mas havia já intenções de transformá-la em universidade pública. A reestruturação começou com o estabelecimento de várias faculdades: Faculdade de Artes, Faculdade de Gestão de Empresas e Administração, Faculdade de Ciências Sociais e Faculdade de Ciência e Tecnologia. Os cursos de três anos foram alargados até aos quatro anos, seguindo os modelos de Portugal, China e Estados Unidos. A criação dos cursos de Direito e de Educação levou, mais tarde, ao estabelecimento das respectivas faculdades. O objectivo principal era formar tendo em vista as necessidades locais.
Decorridos dez anos desde a fundação da Universidade da Ásia Oriental, o número de estudantes tinha aumentado de algumas centenas para dois mil.
A 9 de Setembro de 1991 surge a grande mudança: a Universidade da Ásia Oriental torna-se uma universidade pública e passa a chamar-se Universidade de Macau. Na sequência desta transformação e da aquisição feita pelo Governo de Macau, a Universidade da Ásia Oriental viria, assim, a dar origem à Universidade de Macau (UM), ao Instituto Politécnico e à Universidade Aberta Internacional da Ásia, sendo esta a única privada.
A Universidade de Macau tinha nos oito anos que se seguiam a missão de servir os estudantes de Macau, respondendo às necessidades do período de transição tendo em conta a transferência de administração a 19 de Dezembro de 1999. O número de estudantes aumentou para três mil, 90 por cento dos quais residentes locais.

A internacionalização

A partir de 2000, e com a Região Administrativa Especial de Macau entretanto estabelecida, a Universidade de Macau, considerando que parte dos objectivos na formação de quadros locais tinha sido alcançada, começa a mudar a sua missão tentando inserir-se na competitividade académica internacional. Uma nova fase de expansão que passa pela afirmação da qualidade do ensino e pela captação de professores e alunos de diferentes países.
Um novo enquadramento jurídico aprovado este ano pela Assembleia Legislativa garante à UM maior autonomia relativamente ao Governo passando a ser gerida pelo Conselho da Universidade que, deixando o papel meramente consultivo, se tornou num dos órgãos de gestão, juntamente com o Reitor e o Senado. As alterações verificadas nos estatutos de pessoal viabilizam a contratação de docentes com contratos que podem ser de três ou mais anos de duração. Medidas que, na opinião do vice-reitor, Rui Martins, servirão os propósitos de melhor qualidade considerando que para atrair professores associados e catedráticos de muito bom nível não é possível fazê-lo com contratos de um ou dois anos. Refere o vice-reitor que com esta nova estrutura foram já atraídos três directores de faculdade, Gestão de Empresas, Ciências Sociais e Humanas e Educação. Eram professores do quadro nos Estados Unidos, Taiwan e Inglaterra e aceitaram integrar a UM, dado o novo regime contratual. Foi ainda criada a figura de catedrático de mérito, cujo nível salarial está acima do professor catedrático, de modo a atrair professores mais qualificados. Para Rui Martins é óbvio que não será possível ter cinquenta ou trinta professores catedráticos de mérito, mas pelo menos cinco, um por faculdade, farão a diferença, contribuindo essencialmente para a investigação e o reconhecimento de excelência.
Com mais de seis mil alunos e uma equipa de trezentos professores, a Universidade de Macau, cuja principal língua veicular é a inglesa, pretende conquistar um lugar de prestígio entre a comunidade académica internacional. Este ano, no jubileu de prata, entre uma agenda carregada de actividades comemorativas, a UM promove mais de quatro dezenas de seminários com nomes de destaque no mundo académico internacional, como é o caso do Prémio Nobel da Física 2005, Roy Glauber.
Decorreram 25 anos, em três etapas distintas, que viram também triplicar o espaço físico da Universidade. Do edifício nuclear de 1981, o complexo universitário expandiu-se por vários blocos distintos. O plano de desenvolvimento da UM proposto ao Governo da RAEM, orçado em 300 milhões de patacas, ficará concluído este ano com a remodelação da zona de acesso à Biblioteca Internacional, o Complexo Desportivo e uma nova zona de entrada. Tem desde o ano passado um novo edifício, construído para os Jogos da Ásia Oriental e que serve de residência a cerca de mil alunos. Entre salas de aulas, laboratórios, e auditórios, a UM conta com um Centro Cultural, um Centro de Convenções, possui a maior Biblioteca de Macau e um dos melhores centros de documentação da região Ásia-Pacífico. Para o futuro e como refere o vice-reitor, a aposta está cada vez mais focada na qualidade dos cursos e da própria instituição.

Alunos 2005/2006

Doutoramento:
– Gestão de Empresas e Administração – 3
– Ciências Sociais e Humanas – 14
– Ciência e Tecnologia – 37
Total: 54

Mestrado:
– Gestão de Empresas e Administração –196
– Educação – 140
– Direito – 140
– Ciências Sociais e Humanas – 299
– Ciência e Tecnologia – 418
Total: 1193

Pós-Graduação:
– Educação – 52
– Direito – 72
Total: 124

Licenciatura:
– Gestão de Empresas e Administração – 1606
– Educação – 427
– Direito – 459
– Ciências Sociais e Humanas – 1387
– Ciência e Tecnologia – 457
Total: 4354

Bacharelato:
– Educação – 45

Outros:
– Ciências Sociais e Humanas – 21
– Centro de Estudos Pré-Universitários – 384

TOTAL Global: 6175

– Estudantes dos Países de Língua Portuguesa
(entre 1991/92 e 2005/2006) – 41
– Bolseiros dos Países de Língua Portuguesa
no ano académico de 2005/2006 – 23

A UM em português

Embora tendo por principal língua veicular o inglês, a língua portuguesa tem na UM o seu próprio espaço, distribuído entre a Faculdade de Direito e o Departamento de Português. Um ano particularmente especial para ambos, ao verem concluídas teses de doutoramento de significativa importância, contribuindo para o prestígio da instituição. No caso da Faculdade de Direito, o grau de Doutor atribuído à candidata Wei Dan, tornou-se um marco por ter sido o primeiro obtido por um cidadão chinês com a particularidade de ser também mulher, após apresentação e defesa na Universidade de Coimbra, onde poucos são os que conseguem o doutoramento em Direito.
Do Departamento Português, a candidata Leong Cheok I obteve também o Doutoramento ao apresentar uma tese sobre a complexidade da gramática do chinês e do português, na questão da aspectualidade, dificuldades e ambiguidades de tradução.

Faculdades

-Gestão de Empresas e Administração
-Educação
-Direito
-Ciências Sociais e Humanas*
-Ciência e Tecnologia

*Inclui os seguintes departamentos: Inglês; Português; Chinês; Ciências Sociais; Comunicação

Centros

-Estudos Pré-Universitários
-Língua Inglesa
-Estudos de Macau
-Educação e programas especiais

ARTIGO