Quarta-feira, Agosto 5, 2020
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Linnele, professora

– Como conheceu Macau?

– Macau foi o meu primeiro contacto com o Oriente. A primeira vez que cá estive foi em 1994, já lá vão 12 anos. Vim frequentar um estágio para ir dar aulas de inglês como língua estrangeira na China. Estive dois anos em Jiangmen, mais quatro em Cantão e depois regressei aos EUA. Desde o primeiro momento que Macau me pareceu uma cidade acolhedora. Viajei muito durante os anos que estive no Continente e sempre que voltava a Macau sentia-me… em casa. Hong Kong é uma cidade linda e fascinante mas Macau tem qualquer coisa de especial. Talvez porque transmita uma ideia de cidade pacata em pequenos pormenores, como as ruas cobertas de calçada e uma ambiência que transpira o encontro de culturas.

– O que a fez regressar a Macau?

– Quando as minhas filhas entraram em idade escolar Macau surgiu como destino ideal para uma família como a nossa. Tinha muito boas recordações de Macau e aqui posso providenciar-lhes uma educação adequada, não só ao nível dos currículos internacionais mas, especialmente, na aprendizagem do chinês.

– Que reacções lhe provoca o momento que actualmente vive Macau, com este rápido crescimento económico e as transformações por ele induzidas?

– Macau está muito, muito diferente do que recordava… Já não é mais aquela cidade pacata que eu encontrei. Confesso que tenho algum receio, não pelo desenvolvimento em si, mas pelo ritmo a que as transformações se desenrolam. Com tudo a mudar tão rapidamente será mais difícil de nos apercebermos se estamos a caminhar na direcção certa. Espero também que o trabalho de casa tenha sido feito sobre o número de turistas e a capacidade das instalações que se estão a construir para que Macau não se torne uma cidade fantasma…

– Que evento gostaria de ver realizado em Macau?

– Um festival de artes, nas suas mais variadas vertentes, e que se prolongasse por todo o ano e com a presença de artistas de todo o mundo. Algo verdadeiramente internacional. Macau é uma cidade de culturas, um palco perfeito para se explorar a interculturalidade.

– Quais são os seus amores para além das suas filhas? 

– A música (fui professora de música e sonoplasta) e o diálogo entre culturas. Sinto-me feliz por possuir um passaporte que me permite entrar e sair de quase todos os países do mundo. Eu fui criada numa redoma de vidro e levei muito tempo para me aperceber de que o mundo não acaba no fio do horizonte.

– Se pudesse viver em qualquer sítio do mundo onde seria?

– Bem, eu poderia viver em quase todos os pontos do mundo e escolhi Macau. Estou cá há dois anos e não estou nada arrependida…

 

 

 

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