Terça-feira, Julho 7, 2020
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Viagem ao universo do português

Viagem ao universo do português

 

Uma escultura de uma árvore em ferro fundido, com três metros de altura, traz em suas folhas os contornos de vários objectos e as suas raízes são formadas por diversas palavras que deram origem à língua portuguesa.
A “Árvore da Língua” recebe diariamente centenas de visitantes, na entrada do Museu da Língua Portuguesa, o primeiro no mundo dedicado exclusivamente a um idioma, criado em Março do ano passado, em São Paulo.
Desde a sua fundação, já passaram pelo museu mais de 600 mil visitantes, maioritariamente estudantes, um recorde de público que já consolidou a instituição como uma das mais visitadas em todo o Brasil.
Os três metros da “Árvore da Língua”são vistos pelos visitantes por meio de um elevador panorâmico que dá acesso ao terceiro andar, porta de entrada do museu. Durante a ascensão do elevador, até ao terceiro andar, o visitante ouve uma canção especialmente composta pelo artista brasileiro Arnaldo Antunes que utiliza os termos “língua”e “palavra”em vários idiomas.
A “Árvore da Língua”e a música de Arnaldo Antunes constituem, na verdade, o primeiro rito de passagem, a primeira experiência do visitante com o universo da língua portuguesa.
A segunda etapa da visita começa num auditório, com 182 lugares, onde um vídeo, de cerca de dez minutos, projectado num ecrã gigante, mostra o surgimento das cerca de 5000 línguas faladas no mundo.

Encerrado o vídeo, o visitante dirige-se à “Praça da Língua”, uma espécie de planetário onde é projectada uma antologia da literatura brasileira, com os seus principais autores, como Gonçalves Dias, Machado de Assis e Oswald de Andrade.
Palavras são projectadas no tecto e também no chão, num imenso círculo feito de vidro escuro, numa apresentação de cerca de vinte minutos, com narração feita por artistas como Chico Buarque de Holanda e Zélia Duncan.
A visita prosegue no segundo andar, onde um ecrã gigante, com 106 metros de comprimento, um dos maiores do mundo em projecção contínua, mostra imagens da língua portuguesa no quotidiano das pessoas.
São onze filmes de seis minutos de duração que tratam de temas como futebol, dança, festas, Carnaval, música, relações humanas, culinária, valores, saberes e a matriz lusa. No filme sobre o futebol, por exemplo, o desportista Ronaldinho Gaúcho, que actua na equipa do Barcelona, apresenta uma espécie de glossário de dribles “inventados”por brasileiros, como “embaixada”, “bicicleta” e “golo de placa”.
Ao lado do ecrã gigante, oito estações interactivas apresentam línguas que influenciaram o português, como os idiomas indígena tupinambá, os africanos quicongo, quimbundo e umbundo, além do espanhol, inglês, francês, italiano, alemão e japonês.
Uma estção é dedicada exclusivamente ao português falado em outros locais, ocmo em Macau, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Portugal e Timor Leste, num total de mais de 200 milhões de falantes.
No mesmo andar, há uma “Linha do “Tempo”, formada por três linhas paralelas, onde são apresentadas a evolução das línguas portuguesa, africanas e ameríndias.
A partir do século XVI, com a descoberta do continente americano, essas três linhas encontram-se em uma única: a linha do português do Brasil.
A “Linha do Tempo”apresenta ainda comentários de especialistas e uma selecção com as 100 principais obras da língua portuguesa, a começar pela carta de Pero Vaz de Caminha, quando da descoberta do Brasil.
Durante o percurso, o visitante é estimulado a aprofundar seus conhecimentos nas telas interactivas e a assistir aos vídeos que mostram a história do idioma falado no Brasil.
A última etapa do segundo andar é o “Beco das Palavras”, uma sala com um jogo electrónico interactivo que permite o visitante “brincar”com a criação de palavras.
Quando o visitante reúne sílabas que formam uma palavra, o jogo pára e a mesa, que trabalha como um ecrã, apresenta a origem e o significado da palavra formada.
Por meio de uma moderna tecnologia, que utiliza o ar como suporte, as sílabas parecem flutuar, num efeito semelhante ao utilizado Steven Spielberg, loca preferido dos jovens estudantes.
A visita termina no primeiro piso, um espço dedicado às exposições temporárias, onde foi apresentada uma mostra para assinalar os 50 anos da obra “Grande sertão: veredas”, do escritor Guimarães Rosa, considerada um clássico da literatura brasileira.
Desde Abril deste ano, o espaço apresenta uma exposição sobre a vida e obra da escritora brasleira Clarice Lispector para assinalar o trigéstimo aniversário de sua morte.
O Museu da Língua Portuguesa ocupa parte das instalações da Luz, uma das principais estações do Metropolitano da cidade, com um movimento diário de 300 mil pessoas, e um dos cartões-postais de São Paulo.
A responsável pelo projecto do museu, a arquitecta Sílvia Finguerut, da Fundação Roberto Marinho, salienta que a ideia de construir um museu dedicado à língua portuguesa na Estação da Luz, construída em 1901, tem um importante significado simbólico.
“Durante muitas décadas, os imigrantes estrangeiros que chegavam a São Paulo desembarcavam nesta estação, um local portanto, onde as outras línguas se encontravam com o nosso português”, afirma.
A cidade de São Paulo foi escolhida para albergar o Museu porque reúne a maJor população de falantes da língua portuguesa no mundo, actualmente cerca de II milhões de habitanres.
A construção do museu inseriu-se igualmente no projecto da Câmara Municipal de São Paulo de revigorar o centro histórico da cidade, degradado ao longo dos últimos anos, com a instituição de novos usos nomeadamente para prédios públicos. O Museu da Língua Portuguesaocupattêsandares da Estação da Luz, numa área total de 4333 metro, quadrados, o que representou um investimento de cerca de 15 milhões de euros. A fase de projecto e de construção domuseureunlu 30 especialistas em língua portuguesa e mais de 750 trabalhadores envolvidos directa e indirectamente nas obras de restauro e adaptação do antigo prédio. O museu foi construído a partir de uma parceria entre as fundações Roberto Marinho, ligada às Organizações Globo. o maior grupo brasileiro de media, e a portuguesa Calouste Gulbenkian, além de empresas privadas e entidades governamentai,. Participaram igualmente da amstrução do Museu da Língua Portuguesa de São Paulo a Fundação LusoBrasileira e a Comunidade dos Países de Língua Ponuguesa (CPLP).

 

 

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