Quarta-feira, Dezembro 2, 2020
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Dois grandes parceiros da china

 

Quatro anos de paz. Quatro anos de recuperação. Ainda à procura do seu lugar no seio da economia mundial, Angola, entre os países lusófonos, é o segundo parceiro comercial da China. Uma parceria que se traduz numa balança comercial em que as importações são a peça-chave, para além de serem realizadas com a concessão de crédito do país para onde exporta. Uma tendência que deverá manter-se, agora que o Governo angolano e a direcção do Eximbank da China assinaram em Luanda um segundo acordo de cooperação no valor de dois mil milhões de dólares, segundo disse o professor de Economia da Universidade Católica de Luanda, Alves da Rocha.

De acordo com o economista, o “grande salto” deu-se em 2005/2006, alterando-se o valor das compras à China de 372 milhões para 894 milhões, o que se traduz num aumento de 140 por cento. As razões são várias. “O próprio comércio externo da China cresceu substancialmente para muitos países africanos, para além de ter sido o período das grandes obras em Angola, as obras de reconstrução”.

Na lista das importações de 2006, figuram 25 tipos de produtos. Logo à cabeça, estão as barras de ferro ou aço. E da comparação dos dados relativos a 2005 e 2006, salta à vista, que, no ano passado, foram adquiridos mais e diferentes produtos. É o caso dos cimentos, carris, carregadoras, torres e pórticos. Materiais, equipamentos e construções que fazem falta agora que o país está a construir estradas, habitações, pontes e caminhos-de-ferro. “Houve um aumento substancial de importação de materiais de construção para infra-estruturas porque as grandes obras estão a decorrer agora e Angola não tem um sector industrial”, explicou o especialista.

 

TOP 5 de 2006

 

O top 5 de 2006 é composto por barras de ferro ou aço, pilhas e baterias, cimentos, automóveis de passageiros, grupos electrogéneos que, no total, constituem perto de 136 milhões de dólares.

Comparando com 2005, verifica-se que aquele que era a fonte número um de receitas, – os veículos automóveis para transporte de mercadorias -, no ano passado foi suplantado pelas barras de ferro e aço. Por outro lado, as pilhas e baterias, que figuravam em segundo lugar na lista do ano passado, mantiveram-se quase ao mesmo nível dos valores de 2005. Logo seguidas dos cimentos. Já o quinto lugar acaba por se destinar aos grupos electrogéneos, tal como em 2005.

“A partir do momento em que se dá a primeira tranche de dois mil milhões de dólares do Eximbank, aumentam as importações de Luanda à China – um grande salto justificado pela importação de materiais para reabilitação de infra-estruturas”, explicou Alves da Rocha. Contudo, o economista alerta que “mais do que favorecer Angola, contribuiu para aquecer a economia da China”. Antes Angola tinha uma “dívida externa, mas não tinha património”. Agora tem o “património”.

Quanto ao futuro, o especialista suspeita que os próximos anos “sejam ainda de maiores importações da China”. Resta-lhe apenas esperar que “os chineses vejam esta oportunidade para construir fábricas de produção de materiais de construção, cimenteiras, barras de aço e estruturas de ferro”. Apenas depois de 2008, o panorama deverá mudar, devendo, espera, “ser substituído por relações económicas mais normais, baseadas noutros tipos de produtos, como bens de equipamento”.

 

“Ouro negro”

 

Com a balança comercial ainda bem desequilibrada, já que as exportações representam apenas um por cento, um único produto tem peso a este nível. Constituindo 45 por cento do Produto Interno Bruto de Angola, não há dúvida de que o petróleo é a maior riqueza. Não é por acaso que Angola já se tornou o maior fornecedor de crude à China, do continente africano, ultrapassando a Nigéria. Nos primeiros dois meses de 2007, Angola exportou para a China 456 mil barris de petróleo por dia, representando 15 por cento do total das importações petrolíferas chinesas.

Com o volume de negócios entre os dois países, em 2006, a atingir os 11 mil milhões de dólares, Angola representa o principal parceiro económico da China no continente africano. Para além dos créditos concedidos, garantidos por petróleo, várias empresas chinesas têm estado a trabalhar na reconstrução e construção de estradas, habitações e caminhos-de-ferro. Mas a cooperação também se estende à indústria, ao crude e à defesa.

 

2007: défice para o Brasil

 

Dos países de língua portuguesa, o Brasil é o principal parceiro comercial da China, com Pequim atraído, principalmente, pelo urânio e petróleo. Mas se no ano passado as relações se traduziam numa balança comercial favorável para o Brasil, nos primeiros oito meses de 2007 transformaram-se num défice na ordem dos 400 milhões de dólares.

Máquinas, aparelhos e material eléctrico, eis o grosso dos produtos comprados pelo Brasil à China, no ano passado. Pelo contrário, as mercadorias fornecidas passam por minérios, madeiras, reactores nucleares. Já este ano, de acordo com dados preliminares do Ministério do Comércio Exterior do Brasil, os produtos vendidos ao gigante da América Latina foram o minério de ferro e a soja. Quanto às exportações, tanto em 2006, como nos primeiros meses de 2007, petróleo e sumo de laranja estiveram entre os produtos mais requisitados.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, no primeiro semestre, as trocas comerciais entre a China e o Brasil cresceram 41,5 por cento, em relação ao período homólogo de 2006. Mas esse aumento de trocas comerciais, nestes primeiros oito meses são reflexo do aumento das compras brasileiras, que cresceram quase 80 por cento em Agosto.

Este ano, nos primeiros meses de 2007, a China vendeu ao Brasil bens no valor de 7579 mil milhões e importou produtos no valor de 7191 mil milhões.

 

O petróleo

 

Fora de África, Pequim está voltado para o Brasil. Em primeiro lugar, pelo petróleo – a China investiu dez mil milhões de dólares num oleoduto de Macaé a Salvador –, mas também pelo urânio, tendo em vista a construção de centrais nucleares.

Com um acordo de cooperação bilateral na construção de infra-estruturas, assinado a 4 de Janeiro de 2007, e com um intercâmbio programado, no que diz respeito à energia eléctrica, recursos hídricos, petróleo e gás natural, as relações entre ambos acabam por fugir ao âmbito meramente comercial. Projectos hidroeléctricos nos Rios Madeira, Xingu, São Francisco e Paraíba, bem como a construção de um gasoduto para transporte de gás natural, estão entre os planos conjuntos.

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