Terça-feira, Julho 7, 2020
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Uma família que quer conhecer-se melhor

 

 

Texto Alexandra Lages

 

A China e os países lusófonos são uma “família” que se formou há oito anos, diz Rita Botelho Santos, secretária-geral adjunta do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau) e coordenadora do Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do mesmo Fórum. Estes dois mundos tão diferentes entre si estão a ver as relações económicas e comerciais a consolidar-se, mas “ainda há trabalho a fazer”. Além disso, a China e os países lusófonos querem apostar no intercâmbio cultural, como forma de promover uma “maior aproximação”.

Segundo Rita Santos, a saúde das relações entre a China e os países lusófonos está bem e recomenda-se. “Com a criação do Fórum Macau, em 2003, os laços de amizade e cooperação entre a China e os países de língua portuguesa aumentaram bastante. Antes, quando ia ao Interior da China e falava em países de língua portuguesa, as pessoas só conheciam Portugal e Brasil. Hoje já sabem que também existem países africanos, nomeadamente Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique, e também Timor-Leste na Ásia,” recorda.

A responsável salienta que sem o contributo de Macau teria sido mais difícil construir esta família. “A RAEM beneficia da localização geográfica, da língua portuguesa como um dos idiomas oficiais e laços históricos para contribuir para a união entre os países. Muitas dessas pessoas [lusófonas] sentem-se bem integradas em Macau, como se fosse a sua casa. Os residentes desses países contam com o nosso apoio e estão a ser um bom veículo de comunicação para as próprias nações,” explica.

Ambos os lados cooperam hoje tanto ao nível económico e comercial como na Administração pública, promovendo encontros e acções de formação. Desde a criação do Centro de Formação do Fórum Macau na Universidade de Macau espera-se que esse nível de cooperação seja maximizado. O mesmo se aplica  à área cultural.

“Depois da criação do Fórum, a China e os países de língua portuguesa têm um objectivo comum. Todos  nós queremos trabalhar para o bem da família do Fórum Macau. Todos falamos com coração e esperança que o futuro seja brilhante em termos de cooperação económica e comercial. Também tem estado a alargar-se à área cultural”, salienta Rita Santos.

Desde 2008, o Fórum Macau apoia a organização da semana cultural dos países de língua portuguesa em Macau, que é posta em andamento anualmente pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e as associações lusófonas da RAEM, com a denominação de Festival da Lusofonia.

“A semana cultural é apenas a apresentação de espectáculos e das artes dos países, mas é também mais um caminho de cooperação que se reflecte depois na cooperação económica. O conhecimento mútuo das culturas permite uma maior aproximação e relação de amizade que se poderá desenvolver em outras áreas de cooperação”, frisa a secretária-geral, acrescentando que o volume de trabalho tem-se adensado ano após ano. “Ainda temos muito a fazer à nossa frente, o que significa que todos nós vamos continuar a dedicar a nossa atenção para que Macau possa ser uma plataforma plena.”

Rita Santos acredita que tem que haver uma maior consciencialização dos residentes de Macau para a importância de aprender e dominar o português e também o mandarim. “É importante para que qualquer empresário ou autoridade do Interior da China encontre rapidamente pessoas para poder comunicar na RAEM.”

O futuro das relações é bastante risonho. Pelo menos foi essa a mensagem transmitida na última reunião ministerial do Fórum organizada em Macau, em Novembro de 2010. “Ficou provada a importância que os dois lados imprimem ao Fórum Macau.  Não só o primeiro-ministro da República Popular da China, mas também ministros dos países de língua portuguesa deram ênfase nos seus discursos ao papel de Macau para as relações luso-chineses. O primeiro-ministro Wen Jiabao salientou o seu reconhecimento do papel de plataforma de Macau, e avançou com a criação do fundo de desenvolvimento do Fórum e o estabelecimento do centro de formação em Macau. Medidas que dão uma nova vida ao organismo e também um novo rumo de desenvolvimento.”

As trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa aumentaram 46,35 por cento em 2010, para 91,42 mil milhões de dólares norte-americanos, de acordo com dados divulgados pela alfândega chinesa. Os dados resultam de um ano de fortes trocas comerciais entre a China e todos os países de língua portuguesa, durante o qual Pequim vendeu produtos no valor de 29,56 mil milhões de dólares e comprou bens no valor de 61,85 mil milhões de dólares. O Brasil é o principal parceiro lusófono da China, seguido de Angola e Portugal.

 

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