Quarta-feira, Agosto 5, 2020
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Fai chi (pauzinhos)

 

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Uma lenda do Livro dos Ritos diz que o rei Shang Zhowang (14 – 11 AC) e a sua concubina Daji foram os inventores dos pauzinhos. Segundo conta a história, o rei tinha mau temperamento e reclamava por tudo e por nada no que dizia respeito à comida. Ora era o peixe que não estava fresco ou a comida estava fria e por estas e outras razões mandava matar os cozinheiros. Mesmo a mais amada concubina Daji sabia que era muito difícil satisfazer os caprichos do rei. Um dia ela apercebeu-se que os pratos do banquete estavam muito quentes e como o rei já estava na mesa era muito tarde para remediar a situação. Teve então a ideia de puxar um pino de jade do seu cabelo, apanhar a comida da tigela e começar a soprar para esfriá-la e colocá-la na boca do rei. Ele gostou do gesto da concubina, e passou a pedir-lhe que assim fizesse todos os dias. Daji pediu aos artesãos para fabricarem dois pinos compridos de jade para apanhar a comida e assim surgiram os pauzinhos, esta nova forma de comer que se generalizou entre a população.

Curtos ou compridos, quadrados ou redondos, de ponta mais redonda ou afiada, os pauzinhos são primeiro conhecidos dos portugueses logo no século XVI. Hoje são usados aos milhões na Ásia e agora no resto do mundo. E já há alguns made in USA a chegar em contentores ao Extremo Oriente. Segundo números recentes, são produzidos por ano 80 mil milhões de pauzinhos, o que implica o abate de, pelo menos, 20 milhões de árvores ou, segundo organizações ambientalistas, quase 25 milhões de árvores.

Conhecidos no Japão por hashi (箸, em cantonês pronuncia-se chu), os pauzinhos em Macau ganharam fama nos restaurantes como fai chi e no resto da China chamam-lhes kuaizi, o que indica que alguém vai ter filhos e muito em breve. Isto porque os chineses, que tanto gostam de trocadilhos, costumar brincar com as semelhanças entre a pronúncia de kuai-tzu e “filho e breve”. É por isso que os recém-casados ficam satisfeitos por receber este utensílio como presente de casamento.

 

 

Técnica

Para segurar os pauzinhos é comum “empurrar” um deles contra o dedo anular, ficando assim mais ou menos fixo. O outro pauzinho agarra-se como se fosse um lápis e é ele que se move, actuando o par como uma pinça.

 

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Etiqueta

A etiqueta dos pauzinhos é coisa séria na China. Enquanto cruzá-los é incorrecto, pô-los sobre as bordas da tigela ou no suporte é sinal de que se acabou a refeição, enfiá-los no meio da tigela de arroz lembra os pivetes para os mortos ou é uma refeição para alimentar as almas dos mortos. E livre-se de apontar os pauzinhos ao vizinho, espetá-los na comida ou bater com o mesmo na tigela, pois é uma tremenda falta de educação.

 

Superstição

Há pauzinhos que não são bom agoiro. Se um par desigual for dar ao prato é sinal de morte. Deixar caí-los ao chão dá azar. Se os fai chi de castanheiro geram riqueza, os de madeira preta de diospireiro dão mais anos de vida.

 

 

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