Domingo, Novembro 29, 2020
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Cartaz :: Dezembro de 2014 e Janeiro de 2015

 

ESPECTÁCULOS

AGENDA

 

Flamenco, arquitectura e poesia

 

Inspirada na obra e na pessoa do arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer, Utopia é um projecto global em que que sete bailarinos interpretam com a coreógrafa María Pagés a experiência ética e estética do desejo, do inconformismo, da utopia, através do flamenco.

O arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer acreditava que a arquitectura nascia a partir de um traço. Quando se ouvirem os primeiros passos no tablado do Centro Cultural de Macau (CCM) nos dias 27 e 28 de Dezembro, imagine-se que as ondas de som provocadas por um movimento intenso e comprometido são a banda-sonora de uma arquitectura que sonhou com um mundo melhor.

Maria Pagés, coreógrafa e intérprete de flamenco, define o espectáculo Utopia como um encontro entre o corpo de um edifício e os corpos dos bailarinos, como “uma reflexão emocional sobre o desejo, a imaginação e o instinto dos seres humanos para sonhar um futuro melhor”.

Segundo Niemeyer, em quem a coreógrafa se inspirou num espectáculo estreado em 2011 no Centro Niemeyer de Avilés de Espanha, a dança construiu um objecto que foge “à linha recta, dura, inflexível, criada pelo homem”. O cenário de tal feito sugere “a praça aberta a todos os homens e mulheres do mundo”, “as curvas generosas, de espaços amplos e abertos”.

Os 70 minutos de espectáculo estão estruturados em oito partes, ou versos, que convocam poemas de Baudelaire, Benedetti, Neruda, Machado, Lerbi El Harti e do próprio Niemeyer, incorporando ainda palavras de D. Quixote de Cervantes. Poemas que falam da solidariedade, do compromisso, do exílio, da fugacidade da vida, da pequenez dos homens, da imaginação e do idealismo como motores necessários da mudança.

A ideia do espectáculo começou a tomar forma em 2010, quando Pagés visitou o estúdio de Niemeyer no Rio de Janeiro. Impressionada pelo humanismo e dedicação do arquitecto à sociedade, a coreógrafa concebeu uma peça que contempla temas como solidariedade, empenho e a fugacidade da vida. A bailarina sevilhana é reconhecida internacionalmente pela sua visão do flamenco como dança dinâmica, actual e viva. O escritor José Saramago uma vez disse: “Nem o ar, nem a terra são iguais, depois de María Pagés ter dançado.”

Fundada em 1990, a companhia tem actuado um pouco por todo o mundo, tendo já passado por cidades como Nova Iorque, Istambul ou Singapura.

O CCM organiza também uma tertúlia pré-espectáculo no dia 28 de Dezembro, que inclui uma abordagem às origens e ao percurso cultural do flamenco, bem como uma introdução ao espectáculo e à companhia espanhola.

 

Utopia

27 e 28 de Dezembro           20h00

Grande Auditório do Centro Cultural de Macau

Bilhetes a partir MOP 150

 

 

OUTROS ESPECTÁCULOS

Musical Sing High

Concebido para celebrar o 15.º aniversário do CCM, Sing High é um musical original de Leon Ko que se inspira em trajectos de vida de personagens locais, a contar uma história à medida de Macau. O enredo gira em torno de um jovem que tem como ambição vencer além-fronteiras.

 

6 e 7 de Dezembro   20h00

Centro Cultural de Macau

Bilhetes a partir de MOP 100

 

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O Tigre e o Dragão

A Orquestra de Macau sobe ao palco do Venetian Theatre para interpretar as músicas do filme O Tigre e o Dragão, de Tan Dun, compositor chinês premiado com um Oscar pela melhor banda sonora em 2001.

 

9 de Dezembro          20h00

The Venetian Theatre

Bilhetes a partir de MOP 280

 

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Desfile por Macau, Cidade Latina

Grupos locais e estrangeiros protagonizam um espectáculo de som e cor pelas ruas da cidade para celebrar o 15.º aniversário do estabelecimento da RAEM. Partindo das Ruínas de São Paulo, o desfile, que tem este ano o tema dos contos-de-fada, percorre as ruas do Centro Histórico até desembocar na praça do Tap Seac.

 

20 de Dezembro       15h00

Centro Histórico de Macau

Entrada livre

 

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EXPOSIÇÕES

AGENDA

Os pequenos grandes negócios tradicionais da cidade

 

São 45 fotografias de várias lojas antigas de Macau, na sua maioria com mais de um século de história, pertencentes à colecção do Museu de Arte de Macau (MAM) e que mostram vividamente as suas fachadas despretensiosas. Quase todas dedicam-se à venda de produtos alimentícios e da medicina chinesa. É uma viagem ao tempo de uma Macau descontraída e pequenina.

As lojas antigas de Macau apresentam um aspecto encantador que resistiu à voragem dos tempos, preservando práticas comerciais antigas que hoje atestam a riqueza cultural da cidade. Como parte integrante da herança cultural urbana, estas relíquias possibilitam um olhar histórico sobre a evolução dos bairros antigos e das vicissitudes por que passaram muitas actividades comerciais de Macau ao longo da sua história, além de servirem de pontos de orientação para aqueles que aqui regressam passados longos anos.

Ao longo da sua história de mais de quatro séculos, Macau já foi conhecida como vila piscatória com safras abundantes, com o seu peixe fresco e salgado a liderar as exportações, e com as indústrias de fabrico de vinho chinês e de molho de soja também a desempenhar um papel importante. As carnes curadas eram igualmente exportadas em grandes quantidades, tornando-se muito populares no estrangeiro. O conhecido ditado cantonês “O Outono é a época própria para comer carnes curadas” reflecte justamente o gosto dos locais por esta iguaria. Este tipo de produtos constituiu uma significativa percentagem da produção e do comércio de Macau noutros tempos.

Resgatar essa memória é o objectivo da exposição Fotografias de Lojas Antigas de Macau, patente até 31 de Dezembro no Museu de Arte de Macau. As 45 imagens, todas da colecção do museu, conduzem os visitantes a uma viagem no tempo pelos antigos negócios da cidade, muitos deles com uma longa história familiar que há muito deixou de existir. São pequenos negócios como mercearias e lojas de produtos medicinais que serviam sobretudo uma clientela local. Alguns, mais resistentes às adversidades do desenvolvimento da cidade, ainda hoje continuam de portas abertas, como é o caso da loja de Pak Tong Go, bolos de consistência esponjosa feitos de açúcar branco, ou de outras que ainda vendem chás de ervas chinesas para todos os males.

E fica um ponto a reparar nesta viagem, segundo o MAM: “Os observadores mais atentos não deixarão certamente de reparar que os seus proprietários se apresentam de forma descontraída e sem pretensões no meio da azáfama da urbe moderna, granjeando assim a nossa admiração.”

 

Fotografias de Lojas Antigas de Macau

Até 31 de Dezembro

Museu de Arte de Macau

De terça-feira a domingo

Bilhetes a MOP 5

 

 

OUTRAS EXPOSIÇÕES

 

Montra de Artes de Macau: A Região Obscura, Cerâmica e Gravura por Heidi Lau

Cerâmicas de forte textura e trabalhos em papel que filtram técnicas, memórias, temas cósmicos e espirituais através da perspectiva idiossincrática da artista local. As peças de cerâmica inspiram-se na observação do mundo natural e num interesse pelo macabro. Os trabalhos expostos foram seleccionados de uma série de paisagens de fantasia em miniatura desenvolvidas ao longo dos últimos anos – que evocam objectos naturais em crescimento ou desintegração, mas também arquitecturas e artefactos ligados ao ritual e à religião.

 

Até 7 de Dezembro

Museu de Arte de Macau

De terça-feira a domingo

Bilhetes a MOP 5

 

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Beyond Pixels de Victor Marreiros

A mais recente exposição do artista macaense Victor Marreiros é composta por 16 obras que contam com temas como a proibição de fumar em Macau, a revolução portuguesa do 25 de Abril, ou escritos do escritor lusitano Camilo Pessanha, que viveu e morreu em Macau. O artista já ganhou mais de 200 prémios em concursos locais e internacionais, sendo que a maioria dos seus trabalhos se foca na ilustração, pintura e desenho.

 

Até 31 de Dezembro

Signum Living

Rua Almirante Sérgio, 285

Diariamente das 12h00 às 20h00

Entrada livre

 

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Retorno à Origem: Restauros da Colecção do MAM

Cinco pinturas restauradas da colecção do Museu de Arte de Macau estão patentes na exposição acompanhadas de textos e imagens do processo de restauro. A mostra inclui o desenho “Águias Duplas, Bambu e Pardal” de Lin Liang, um pintor de Guangdong da dinastia Ming, e a pintura histórica “Panorama de Macau”, que retrata a Igreja da Madre de Deus e o Colégio de S. Paulo antes do incêndio.

 

Até 8 de Março

Museu de Arte de Macau

De terça-feira a domingo

Bilhetes a MOP 5

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