Quarta-feira, Agosto 5, 2020
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Portefólio dos Oito Países de Língua Portuguesa para Negócios: Um Breve Panorama

 

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Texto Patrícia Lemos

 

Não foi a cana-de-açúcar primeiro a atrair os europeus ao Brasil, mas sim as plumas coloridas dos papagaios. Nem todos os países da lusofonia são profundamente católicos como Timor-Leste; na Guiné-Bissau 45% da população é muçulmana. Estas são algumas das informações disponíveis no Portefólio dos Oito Países de Língua Portuguesa para Negócios: Um Breve Panorama. Este livro desenha em cerca de 300 páginas o perfil histórico, social, político e económico dos oito países de língua portuguesa. É a resposta da Universidade Cidade de Macau, mais precisamente do seu jovem Instituto para a Investigação dos Países de Língua Portuguesa, ao crescente interesse na cooperação sino-lusófona.

De fácil consulta, o compêndio que a universidade está a distribuir gratuitamente desde Janeiro, sistematiza uma série de dados em papel que já se encontravam disponíveis, mas ainda não haviam sido publicados num único documento. Apesar de se apresentar como um breviário, o livro aprofunda os perfis económicos de cada país, reunindo dados recentes sobre exportação e dando nota das oportunidades de mercado e ainda das suas fraquezas ou fragilidades. Não é por isso um livro promocional das várias economias, antes procura dar uma imagem real de cada país. E para o atestar destaca-se por exemplo o facto ali estar descrito que o segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana, Angola, tem uma “das sociedades com maiores desigualdades”. Um país em grande ascensão mas que regista uma esperança média de vida de apenas 51 anos. Nas muitas páginas dedicadas a Portugal a crise que afecta o país também não é escamoteada, fazendo-se referência ao “elevado grau de endividamento externo e baixo crescimento económico tendencial”.

A equipa que está por detrás deste projecto de investigação, coordenada por Rui Rocha e Sheng Jian, dá relevo às relações bilaterais entre os países de língua portuguesa e a China, optando por modelos diferentes na forma de as retratar. No caso de Angola incluíram-se excertos de uma entrevista a Rita Santos, a Coordenadora do Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum de Macau. Na mesma área, o texto descritivo do Brasil reúne as partes essenciais do acordo de cooperação do país sul-americano com a China. Já o texto de Portugal apresenta-se mais económico, enquanto o de Timor-Leste tem um cariz político, com extractos de um discurso de 2012 do embaixador da China no país, Tian Guangfeng.

Também o olhar sobre os países lusófonos na “perspectiva das relações económicas internacionais” entra no índice do “Portefólio”. No caso de Moçambique, “um dos países com maior potencial a nível mundial” na área do carvão, chama-se a atenção para alguns “constrangimentos” que o potencial investidor tem de conhecer, como a dificuldade de exportar de Moçambique ou o facto das suas gentes não saberem dizer “não”. São informações que fazem deste um bom guia para quem quiser fazer negócio nesse universo, carregado que está de dados estatísticos económicos actualizados. Apesar deste livro não se debruçar muito sobre questões culturais e costumes, faz sugestões interessantes. É até útil em viagem porque nele se encontram também informações gerais, como a corrente eléctrica, os feriados ou mesmo o horário dos bancos.

Recorrendo sobretudo a fontes oficiais, o “Portefólio” prima pelo facto de ser bilingue, português e chinês, mas mais ganhariam os países visados se também tivesse sido convidada a língua inglesa para aquelas páginas. O documento dirige-se sobretudo os potenciais investidores em países de língua portuguesa, mas pode despertar ainda mais o interesse dos estudantes chineses e portugueses, no tema da cooperação, até porque a apresentação é apelativa. Será ainda um óptimo documento de consulta para jornalistas e todos aqueles que lidarem com temas ligados à lusofonia no dia-a-dia do seu trabalho. Deixa mesmo no leitor o desejo de uma actualização periódica.

A primeira obra do Instituto para a Investigação dos Países de Língua Portuguesa foi lançada em Janeiro, assinalando os dez anos de existência do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. E respeita o pedido expresso de Pequim no 12.º Plano Quinquenal da República Popular da China, aprovado em 2011, com vista a trabalhar no desenvolvimento da plataforma de serviços da RAEM para a cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa.

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