Quinta-feira, Outubro 22, 2020
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Dossiê MTC | Aposta no ensino superior

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Texto Sofia Jesus | Fotos Gonçalo Lobo Pinheiro

 

 

Desde 2000 que a Faculdade de Medicina Tradicional Chinesa da MUST tem vindo a alargar a formação nesta área, com o número de candidatos a licenciaturas, mestrados e doutoramentos a crescer de ano para ano. Liu Liang, reitor da MUST e também director da Faculdade de Medicina Tradicional Chinesa, explica à MACAU que um dos grandes objectivos da instituição é formar profissionais “de alta qualidade” na RAEM. Uma vez concluída a licenciatura em MTC, explica, os alunos ficam “qualificados para se candidatarem a uma licença” para o exercício deste tipo de medicina em Macau.

“Cerca de 40 por cento dos médicos de MTC registados em Macau são licenciados aqui [na MUST]. Tenho muito orgulho nisso”, comenta o docente, que espera que esta percentagem possa vir a aumentar no futuro. Em 2012, a faculdade abriu o bacharelato em Farmácia de Medicina Chinesa. A ideia, defende Liu Liang, é contribuir também para o desenvolvimento da indústria da MTC em Macau. Uma aposta feita a pensar na necessidade de diversificar a economia da RAEM e nas oportunidades que podem surgir na Ilha da Montanha. “Creio que o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong-Macau [a ser construído em Hengqin] poderá recrutar pessoal fora de Macau, mas também serão necessários profissionais locais, experiência local”, justifica.

De acordo com Liu Liang, no Interior da China os cursos superiores na área da MTC arrancaram na década de 1950, enquanto que em Hong Kong este tipo de formação começou em finais dos anos 1990. Experiências que, salienta, ajudaram Macau a desenvolver “cursos modernos” nesta área.

Além das licenciaturas, a MUST oferece também vários mestrados relacionados com MTC e disponibiliza ainda programas de doutoramento. Uma das áreas desenvolvidas é a da Integração entre MTC e Medicina Ocidental.

Com o número de candidatos a aumentar nos últimos anos – “não apenas do Interior da China, mas também de Macau” –, a selecção dos alunos é cada vez “mais exigente”, garante o director da faculdade, que conta, actualmente, com mais de uma centena de estudantes nos cursos pós-graduados. “Podemos construir uma reputação internacional para Macau, no âmbito da investigação académica e dos padrões académicos”, defende o perito.

A Universidade de Macau também tem um longo trabalho de investigação académica na área da MTC. Criado em 2002, o Instituto de Ciências Médicas Chinesas (ICMS, na sigla inglesa) tem vindo a desenvolver, sobretudo, as áreas da biomedicina e da farmacêutica.

No ano lectivo de 2014/2015, o ICMC contava com um total de 230 alunos: 46 estudantes de licenciatura (em Ciências Biomédicas), 88 de mestrado (há um mestrado em Ciências Medicinais Chinesas e outro em Administração Medicinal) e 96 de doutoramento na área das Ciências Biomédicas.

“As instituições públicas, em particular a UM, têm vindo a recrutar académicos promissores e de renome de todo o mundo e especializados em vários domínios de relevo”, comenta à MACAU Wang Chunming, professor assistente do ICMS, destacando a “excelente reputação internacional em investigação”, construída pela universidade ao longo dos últimos anos, e o estabelecimento de “plataformas tecnológicas capazes de acelerar o desenvolvimento da MTC”.

 

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