Sexta-feira, Outubro 23, 2020
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III Encontro da Comunidade Juvenil Macaense

 

Youth Encontro 2015 Visita a vila da Taipa 04

 

Texto Diana do Mar | Fotos Macau Film Production

 

Quase meia centena de representantes das 12 Casas de Macau espalhadas pelo mundo respondeu à chamada do III Encontro da Comunidade Juvenil Macaense, que se realizou em meados de Junho, participando em diversas actividades sobretudo de índole recreativa e cultural pensadas para “fortalecer o sentimento de ligação a Macau” e permitir-lhes ter uma “visão mais moderna” da cidade.

O balanço é positivo, em todas as frentes, desde logo do ponto de vista da Associação dos Jovens Macaenses (AJM) que, pela primeira vez, esteve aos comandos da organização do Encontro. “Foi um evento com bastante sucesso. Estamos muito contentes por termos conseguido alcançar todos os objectivos e temos hoje ainda mais força para continuar a trabalhar em prol da comunidade”, afirmou Duarte Alves, que preside à AJM.

Dos dias de convívio – que incluíram actividades tão distintas como debates, workshops de dança e de culinária ou passeios turísticos – ficou clara a ideia de que o contacto não pode continuar a depender (quase) única e exclusivamente de um encontro que acontece de três em três anos. “Chegámos à conclusão de que o mais importante é manter a ligação”, pelo que “vamos criar uma plataforma online”, acrescenta Duarte Alves.

Essa plataforma, para suprir a distância física, pretende “mostrar ao mundo quem somos, a nossa história, a nossa a cultura”. Também vai ter uma área para fotografias e vídeos, além de um espaço reservado a cada uma das Casas de Macau para que todos se mantenham a par do que vai sendo feito. “Como pode ser acedida em qualquer parte do mundo e a qualquer hora vai facilitar a comunicação entre nós”, realça Duarte Alves, afirmando que espera apresentar “novidades” dentro de três a quatro meses.

 

Youth Encontro 2015 A-Ma Temple 01

 

Misto de experiências e sentimentos

Se muitos repetiram a experiência de voltar, outros pisaram a região pela primeira vez, incluindo com a dupla estreia de conhecer Macau, de que tanto ouvem falar a milhares de quilómetros, e de participar num encontro da comunidade. Foi o caso de Anamaria De Graça, do Lusitano Club dos Estados Unidos. Embora sem laços familiares que a ‘puxem’, sente-se “macaense” muito pelo afecto herdado dos pais, nascidos em Hong Kong. “É bom ver a cultura macaense, o lugar de onde é oriunda a nossa família, as histórias de que falam. Sinto-me ainda mais orgulhosa por ter passado por esta experiência”, sublinha, descrevendo-a como “reveladora”.

Já para Leonardo Martins o encontro foi sinónimo de regresso à infância, pois viveu em Macau dos três aos dez anos. “Foi muito bom recordar tudo: desde a minha antiga casa, à escola, aos sítios onde jogava futebol com os meus amigos”, conta o jovem que integra actualmente a Casa de Macau em Portugal.

Após um interregno de 16 anos, Leonardo Martins espera “retomar a ligação” com a terra que o viu o crescer (pelo menos um pouco). “Sinto-me macaense, sinto-me português. O macaense foi uma experiência de sete anos. Nunca vou perder essa identidade. Sempre que voltar cá, vou recordá-la, reavivar essa memória”. Esse passado acaba, porém, por estar um pouco presente, seja por via da influência da sua mãe, que “continuou sempre a ter uma grande ligação a Macau”, ou até pelo simples facto de a sua casa estar recheada de “arte chinesa, de mesas de Mahjong, mobílias chinesas, biombos ou bambus” levados de Macau.

Stephanie Law, da Casa de Macau em Toronto, também retornou, chegando sem saber realmente o que esperar ao fim de um hiato de quase 20 anos. “Foi uma experiência maravilhosa. Sei muito mais do que aquilo que pensava saber sobre ser macaense”, observa, manifestando a intenção de levar para o Canadá histórias que inspirem uma visita à cidade. “Primeiro pensava não ter uma grande relação com Macau, mas agora apercebo-me que sim”, partilha, explicando que os avós, que viveram em Hong Kong, onde nasceu, aliás, a sua mãe, sempre lhe disseram que era descendente de macaenses.

Já Iana Vital, da Casa de Macau no Rio de Janeiro, veio pela quarta vez. O II Encontro de Jovens Macaenses, em 2012, marcou a estreia. “Depois, vim mais duas vezes. Já não era tudo tão novo, mas mesmo assim há sempre muita aprendizagem, muita coisa que se descobre nas vivências e conversas com outros participantes”, relata Iana Vital, sobrinha-neta de Carlos d’Assumpção, uma dos mais notáveis macaenses.

 

Youth Encontro 2015 Grupo de Ligação 02

 

Sempre com “grande afecto” a Macau, muito por influência do avô, vive em casa um pouco da cultura que hoje afirma valorizar ainda mais, comungando nomeadamente do interesse pelo patuá e do gosto pela culinária. “Considero-me macaense. Eu defino [o termo] pelo amor que se tem ao lugar, mesmo não tendo nascido aqui”, diz Iana Vital, para quem a experiência de participar em mais um encontro se revelou “enriquecedora”.

Expressando a vontade de voltar para o próximo, daqui a três anos, Iana Vital aproveita para deixar uma proposta. “Os eventos acabam por ser em inglês porque a maioria não fala português. Deviam fazer alguma actividade como um workshop de português, pelo menos para o básico”.

Jessica Xavier, do Lusitano Club da Califórnia, esteve em Macau pela primeira vez em 2007. Metade portuguesa, um quarto japonesa e um quarto chinesa, como se autodescreve, também quer voltar, mas provavelmente mais cedo: “Quando não estiver tanto calor, provavelmente no próximo ano, em Novembro ou assim”.

Com familiares na RAEM, do lado da mãe, sente-se um pouco mais macaense por ter regressado e participado do encontro: “Estar aqui tornou mais determinante a vontade de me envolver realmente mais na minha Casa. É importante que os macaenses se juntem e comuniquem e ainda mais no caso dos jovens”.

 

Youth Encontro 2015 Visita a vila da Taipa 01

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