Terça-feira, Julho 7, 2020
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Indústrias Culturais | O futuro das artes

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Texto Luciana Leitão

 

Ainda este ano 73 empresas deverão receber apoio financeiro do Fundo das Indústrias Culturais para levar adiante projectos que visam desenvolver o sector. A julgar por aqueles que mais dinheiro irão receber, entre os grandes beneficiados contam-se marcas de moda e vestuário, empresas de design comercial e de marcas, além de firmas que querem lançar plataformas de serviços.

O Fundo foi anunciado em Outubro de 2013, destinando-se a garantir apoios a fundo perdido ou empréstimos sem juros a empresas da área. Na primeira ronda de candidaturas, que decorreu no ano passado, 321 projectos concorreram, mas apenas 86 (ou 27 por cento) foram aprovados, no valor de 110 milhões de patacas. Entre esses candidatos bem sucedidos, 13 desistiram por considerarem diminuto o apoio financeiro oferecido. Entre o núcleo de aprovados, sete propõem criar plataformas de serviços, enquanto os restantes constituem projectos comerciais.

Além das plataformas de serviços (ver caixa), que deverão arrecadar os maiores montantes, contam-se ainda entre os principais vencedores empresas como a Criações de Macau Limitada, Criação Character (Macau) Limitada e a Chun Man Publishing Co. Ltd, que irão receber um empréstimo sem juros de mais de cinco milhões de patacas, pelo desenvolvimento do produto Faísca-E, de uma marca de vestuário feminina designada Estilo e Arte Criativa de Macau e pela criação do Plano de Desenvolvimento Estratégico de Marcas Man Tou, respectivamente.

No sector do audiovisual, um dos grandes vencedores foi a empresa E.C. Produções de Vídeo, que irá receber mais de 2,2 milhões de patacas para uma co-produção entre Pequim e Macau do filme Dear, Please Forget me.

Além destes beneficiados, contam-se ainda a Soda Panda Product Design, que terá direito a mais de 1,6 milhões de patacas pelo plano de industrialização da marca. O fundador da Macau Creations, Wilson Lam, – responsável pela Sonda Panda Product Design – decidiu requerer o apoio do fundo para vender online um dos seus produtos mais bem sucedidos. “Tendo em conta que as rendas e os recursos humanos são muito caros, preferi fazê-lo online”, afirma, acrescentando que “continua à espera que a verba seja libertada”.

Também há, ainda que poucos, projectos contemplados no campo musical. É o caso da Companhia de Diversões e Produção Reino Limitada, que irá receber mais de 1,5 milhões de patacas por um plano de optimização da música popular local. Noutros sectores, está a Casa de Cha Long Wah, que irá receber mais de 1,2 milhões de patacas para lançar um Centro Cultural do Chá Puher de Macau.

 

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Entram uns, saem outros

No domínio das artes, um dos grandes vencedores foi a Companhia de Investimento Long Hei Grupo (Macau) Limitada, uma casa de leilões da China responsável também pela organização da Art Macau, que irá receber mais de um milhão de patacas para estabelecer um Centro Artístico da Ásia. O grupo já tem uma casa de leilões em Macau e um museu privado na cidade chinesa vizinha de Zhuhai com artefactos antigos chineses.

Também a empresa Iao Hin Design e Eventos, proprietária da galeria com o mesmo nome, deverá receber a título de pagamento de projecto mais de um milhão de patacas para renovar o espaço. Segundo a directora Florence Lam, a verba surge em boa hora. “Estamos felizes, não é uma quantia muito grande, mas quando nos candidatámos fizemo-lo com uma mente aberta”, diz, revelando que o dinheiro será utilizado para reestruturação da galeria, devendo o espaço abrir com uma nova face ainda este ano.

Admitindo que se tratou de um processo burocrático e algo moroso, Florence diz, porém, que tal não foi encarado como um problema para a empresa. “No nosso caso em particular, não dependíamos apenas do Fundo. Tínhamos o objectivo claro de ajudar, mas não de depender dele”, assegura. Contudo, diz que requereram um apoio maior, com base nas previsões da expansão do projecto nos próximos dois a quatro anos. “Mas não nos queixamos, queremos estar concentrados”, afirma.

Em relação aos outros projectos contemplados pelo Fundo, Florence Lam afirma que apenas espera que o governo tenha em atenção que nas indústrias criativas não se pode pensar apenas em lucro. “Pode haver benefícios sociais pequenos que outros projectos individuais pequenos possam contribuir”, afirma.

Por seu turno, a conhecida associação Art for All (AFA) foi uma das candidatas rejeitadas. “Concorremos da primeira vez e falhámos. Não nos deram uma resposta específica, apenas anunciaram o resultado e enviaram-nos uma carta, dizendo que não tínhamos sido aceites”, afirma o curador da associação. James Chu explica que a associação mudou a natureza do organismo, de não lucrativo para lucrativo para poder beneficiar do Fundo. “Queremos desenvolver a AFA mais de acordo com um modelo de negócios, a longo prazo”, afirma.

Entre os vencedores que deverão receber as menores quantias, conta-se a Phoenix Skyscape Publisher, que irá arrecadar quase 500 mil patacas pelo lançamento de uma revista. Há também várias marcas de roupa, que procuram com o apoio do Fundo lançar novos projectos, como a Cocoberryeight, da designer Barbara Barreto Ian, que irá receber mais de 160.000 patacas para lançar um Centro de Moda de Macau, ou a VCSL Vanessa’s, da estilista Vanessa (quase 500 mil patacas), que procura apoio para lançar o V Corset, além do Grupo de Vestuário de Marca Internacional Ao Loi A, Limitada (mais de 350 mil) ou a Worker Playground (mais de 680 mil patacas) que pretendem firmar a sua marca.

O montante mais baixo, de quase 44 mil patacas, foi atribuído para realizar este ano um espectáculo de stand-up comedy, organizado pela Xadrez Entretenimento Produção. Esta associação recebeu mais dois apoios para álbuns de música de um cantor (132.740 patacas) e um concerto individual de Rico Long (95.648 patacas).

Até 30 de Junho, já estavam agendadas 50 marcações para a segunda ronda de candidatura de projectos a apoio financeiro do Fundo.

 

Conferência de imprensa do Fundo das Indústrias Culturais

 

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Milhões para as plataformas

Entre os projectos vencedores do Fundo das Indústrias Culturais contam-se sete plataformas de serviços, arrecadando também os maiores montantes de dinheiro, para servir de apoio a empresas nas áreas do design de marcas, moda e comercial, além da organização de espectáculos e exposições.

Assim, dos 86 projectos, em primeiro lugar encontra-se o recém-criado Centro de Incubação de Marcas Macau Originário Limitada, que irá receber mais de 8,8 milhões de patacas para criar um centro de incubação de marcas, na área do design criativo.

Logo de seguida, surge o Centro dos Serviços Integrados Culturais e Criativos de Macau, que será responsável pela criação de uma plataforma de serviços comerciais às empresas culturais e criativas, recebendo para o efeito mais de 8,3 milhões de patacas.

Em terceiro lugar, está o MCDC Centro de Design Macau Companhia Limitada, que deverá receber mais de sete milhões de patacas para montar um plano de desenvolvimento a cinco anos do Centro de Design de Macau, uma iniciativa da Associação de Design de Macau, que tem o artista James Chu como presidente. Esta plataforma deverá funcionar como serviço de consignação de produtos.

Segue-se então a empresa Consultadoria de Projecto Team Mei que deverá receber, na modalidade de pagamento de projecto, mais de 6,3 milhões de patacas pela criação de um Centro de Incubação de Marcas de Moda de Macau.

O Fundo de Indústrias Culturais irá também atribuir perto de 5,1 milhões de patacas à Companhia do Desenvolvimento Cultural e Criativo 100 Plus Limitada, para lançamento do Espaço Criativo e Cultural 100 Plus, na área das exposições e espectáculos culturais, desenvolvendo serviços para estas actividades. Esta empresa já é actualmente responsável pela revista das indústrias criativas de Macau, tendo recebido do governo cerca de dois milhões de patacas repartidos por três anos.

Segue-se então a empresa Chao Chong U E. I., que irá receber 3,8 milhões de patacas para desenvolver o San Seng Fung – Centro de Incubação de Produtos Culturais e Criativos, na área do design comercial e de marcas. Finalmente, a sétima contemplada, por ordem de montante, é a Fábrica de Artigos de Vestuário Lei Un, devendo receber 2,6 milhões de patacas para avançar com a promoção da produção e design de roupas criativas e culturais, além de um plano de arrendamento para a diversificação industrial.

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