Quarta-feira, Agosto 5, 2020
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Governo de Macau promete casa-museu para restaurante da Casa de Portugal

Desde 2013 que a Casa de Portugal em Macau vinha a pedir uma nova localização para o restaurante “Lvsitanvs”, que em 2011 abriu junto ao ex-líbris da cidade, as Ruínas de S. Paulo, sendo obrigado a sair dois anos depois por vontade do proprietário, o deputado Chan Chak Mo. No mesmo espaço abriu meses mais tarde uma loja de roupa.

A mudança para uma das cinco vivendas coloniais foi, na altura, sugerida pela associação, mas a proposta foi recusada. Como solução temporária, o “Lvsitanvs” mudou-se para a sede da Casa de Portugal em Macau, no centro da cidade, com um menu reduzido e preços mais baixos.

Hoje, no final de uma visita às oficinas da associação, Alexis Tam anunciou que deseja “mais vida” para a zona das casas-museu da Taipa, onde anualmente se realiza a Festa da Lusofonia. “Queria convidar a Casa de Portugal para fazer parte do nosso projecto para explorar a zona das casas. Vamos montar um restaurante português, cafés e esplanadas. Podemos arranjar dinamizadores portugueses para tocar ali, todas as noites vai haver festa. Hoje não há sítio para ir, só hotéis”, disse o secretário.

Alexis Tam não quis avançar já com uma data para a conclusão do projecto, que vai expor com mais pormenor durante a apresentação sectorial das Linhas de Acção Governativa do Executivo de Macau para 2016 no início de Dezembro, No entanto, garantiu ser para “breve”, até porque não serão necessárias “novas construções”. “Temos sorte porque já existem casas bonitas, ao estilo português, de que os turistas gostam muito. É um sítio bonito, muito romântico”, afirmou, explicando que a ideia é também “aproveitar os produtos criativos para vender aos turistas chineses ou aos residentes locais”.

Outros países, como França, Itália e Brasil, vão também ser convidados para ali ter uma representação gastronómica e cultural, mas rotativa.

As casas-museu da Taipa datam do início do século XX e estão hoje defronte a um mangal, um lago de características pantanosas, com muita vegetação, incluindo flores de lótus, e dos poucos lugares em Macau onde se podem avistar garças.

Depois do “processo desagradável” de saída da Casa Amarela, junto às Ruínas de São Paulo, a notícia foi recebida com agrado pela presidente da Casa de Portugal em Macau, Maria Amélia António.

A ideia, por agora, é “repescar” um projecto de 2011, rejeitado, em que o restaurante português, em parceria com as associações dos países de língua portuguesa, organizava mostras gastronómicas lusófonas mensalmente. “Rodávamos ao longo do ano e íamos tendo sempre a acontecer algo ligado aos países de língua portuguesa. A ideia é manter o espírito da Festa da Lusofonia durante o ano”, explicou.

Uma questão “dramática” será decidir o que fazer com o “Lvsitanvs” que agora ocupa a pequena sede da associação no centro da cidade, uma solução de improviso que se tornou extremamente popular, em parte devido aos preços acessíveis – a rondar as 70 patacas (oito euros) por prato – numa cidade onde a restauração é cada vez mais cara. “Com o decorrer do tempo muitas pessoas começaram a ir ali almoçar, reformados, alunos das escolas, pessoas que não têm condições para ir almoçar a um restaurante. Transformou-se quase numa prestação social. Vamos ter de tomar decisões e definir o que se pode manter na sede. Hoje sei que vamos ter um levantamento social se dissermos que deixamos de funcionar”, comentou.

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