Sexta-feira, Março 5, 2021
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Tradução | Uma década a cooperar para formar com a UE

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Texto Diana do Mar e Fátima Valente | Fotos Gonçalo Lobo Pinheiro

 

O primeiro protocolo foi firmado em 2006 e renovado por mais cinco anos. Seguiu-se a assinatura de mais dois: um que cobre o curso de formação e outro o de aprendizagem. A diferença prende-se com o público-alvo, já que o segundo veio abrir o leque dos candidatos a outras áreas e ofícios, exigindo-se apenas um diploma e, naturalmente, que conheçam bem as duas línguas e que passem num teste de aptidão.

O Programa de Formação de Tradução e Interpretação das Línguas Chinesa e Portuguesa – que dura cinco meses – desenrola-se em Macau e Bruxelas e em duas vertentes: tradução e interpretação. A primeira é orientada pelos SAFP, a segunda pela União Europeia. Desde o ano de 2006, foram formados 79 intérpretes-tradutores, um número aquém da meta idealizada de 100 devido à falta de candidatos. A parte que se realiza na Europa inclui a estadia em Portugal, em que os alunos também têm aulas, participam em palestras, conferências e visitas, e que acima de tudo permite a imersão total na língua ao longo de duas semanas. Isto depois de terem estado “num ambiente multicultural e multilingue, onde têm oportunidade de ver como funciona a interpretação de uma forma mais alargada tal como é feita na União Europeia”, explica a coordenadora intérprete Etelvina Rocha Gaspar, habituada a deslocar-se a Macau para dar acções de formação.

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“Toda a formação é feita nas duas línguas e, em paralelo, estando absolutamente representadas da mesma forma. Temos sempre assessores chineses que nos ajudam aqui e lá. Depois, enfim, adquirimos com o tempo competências para poder fazê-los trabalhar mesmo com o chinês e a partir do chinês, havendo toda uma série de ferramentas que podem ser utilizadas”, realça. O director-geral de Interpretação da Comissão Europeia, Carlos Alegria, complementa: “Na longa história de formação de intérpretes do serviço de interpretação da União Europeia aconteceu, várias vezes, ser chamado a formar para línguas em que justamente esses intérpretes não existiam”, realça, citando a formação de intérpretes de língua em chinesa em colaboração com autoridades e universidades da República Popular da China, o caso do Vietname, e um outro exemplo, em curso que se prende com a formação de intérpretes da Mongólia, tendo em perspectiva a reunião da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que se realiza no próximo ano.

Ao contrário de outras jurisdições, incluindo da própria União Europeia, Macau não distingue o ofício de intérprete do de tradutor. Mas também não é a única onde vivem como um só. “Não é um entrave, é uma questão de dimensão”, nota a coordenadora intérprete portuguesa. “Evidentemente que relativamente à formação traz alguns problemas porque têm, em princípio, que ter características diferentes, embora possam ser complementares.” No caso da interpretação, “a capacidade de comunicação, de reacção, rapidez de reflexos e domínio da língua ao ponto de ser activado rapidamente é essencial. É muito difícil pôr alguém a ser comunicativo se essa aptidão não existe à partida”, pontua.

“Poderíamos perguntar-nos porque estamos em Macau atendendo a que há formação de base. Mas a verdade é que a pouca exposição ao português faz com que não seja suficiente para um nível que lhe permita serem intérpretes tradutores qualificados, pelo que a ideia é exactamente ajudá-los a elevar essa qualificação”, criando, ao mesmo tempo, “capacidade de formação local, sublinha. Carlos Alegria, fazendo um “balanço positivo” da cooperação Macau-UE, nota que os intérpretes tradutores “foram sempre uma figura chave no quadro da Administração Pública, e que se mantém hoje em dia como uma “profissão bastante reconhecida e bastante prezada” que, neste âmbito, “beneficiam da longa experiência de formação dos serviços da Comissão Europeia”.

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