Sexta-feira, Março 5, 2021
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Próximo encontro de escritores de língua portuguesa deverá ser em Macau

“O próximo encontro (de Escritores de Língua Portuguesa) provavelmente será em Macau. Estamos a trabalhar para isso e vamos ver se o conseguimos dar ainda maior impacto que este próprio, se é possível”, afirmou Vítor Ramalho à Lusa no término do VI encontro, que decorreu durante três dias na cidade da Praia.

Considerando que o encontro na capital cabo-verdiana tem “um balanço positivo e um grande impacto a todos os níveis”, o secretário-geral da UCCLA afirmou que tudo será feito para que em Macau seja uma reunião “singular”, na mesma medida da plataforma que a China utiliza na relação com os países de língua portuguesa.

Esta será a primeira vez que Macau vai acolher o evento, depois das primeiras quatro edições terem sido realizadas na cidade de Natal, no Brasil, e a quinta em Luanda, em Angola.

Quanto ao encontro da Praia, Vítor Ramalho destacou os vários temas abordados durante os três dias de trabalho, a presença de escritores de todos os países que falam o português, sala sempre cheia e a “excelência e qualidade” das intervenções dos convidados e moderadores.

Para o secretário-geral da UCCLA, os encontros de escritores têm tido sempre muito impacto e dá como exemplo o desafio lançado para criar um prémio para novos talentos, e que já conta com mais de 120 inscritos, a que se junta aos já existentes para incentivar a literatura.

Destacando a “divulgação muito forte” do encontro nos países lusófonos, Vítor Ramalho indicou também que será publicado um livro que será “amplamente distribuído”. “A repercussão tem sido muito forte e é um estímulo para que esta iniciativa tenha um impacto muito grande sobretudo na difusão da nossa língua portuguesa e das nossas literaturas”, salientou o responsável associativo.

Em declarações à Lusa, os escritores José Luís Peixoto (Portugal) e Vera Duarte (Cabo Verde) também sublinharam a presença de pessoas dos mais diversos espaços de língua portuguesa, dizendo que é uma oportunidade de discussão que acaba sempre por ter algum resultado e efeito prático “a médio e longo prazo”. “Existe um sinal muito positivo dado aqui por estas diferentes tonalidades da língua portuguesa e sinto que os resultados seguramente surgirão mais cedo ou mais tarde, mas será mais fácil identificá-los então do que agora”, espera José Luís Peixoto, que participou pela primeira vez, esperando “um número mais variado” de escritores nos próximos encontros.

Além de continuar as sedimentar as relações entre os produtores de cultura nos países de língua portuguesa, Vera Duarte indicou que outra recomendação que saiu do encontro é a introdução nos currículos escolares de uma matéria que possa debruçar sobre a literatura lusófona. “Esta recomendação é qualquer coisa que nos mobiliza muito e que eu penso pode ter um efeito prático muito grande pelo seguinte – e foi aqui dito – os livros de autores lusófonos praticamente não circulam nos nossos países, os autores de um país não são estudados nos outros, só temos a herança colonial e estudamos só a literatura portuguesa”, reforçou a também presidente da Academia Cabo-verdiana de Letras, indo ao encontro da lamentação de José Luís Peixoto.

“Mas não queremos só isso. Queremos estudar aqui (em Cabo Verde) a literatura portuguesa, moçambicana, angolana, guineense, a brasileira e queremos que a literatura cabo-verdiana seja estudada nesses países porque só assim é que permitimos que nos nossos países haja um outro olhar sobre os países africanos, que não é só guerra, fome, conflitos, golpes de Estado. Há literatura, já há autores e isso é muito importante para mudança da nossa comunidade”, disse.

O encontro terminou com uma homenagem ao escritor e poeta cabo-verdiano Arménio Vieira, primeiro e único Prémio Camões do arquipélago (2009), em elogios feitos pela antiga ministra da Educação cabo-verdiana Ondina Ferreira e pelo Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, também ele poeta e escritor.

O encontro, organizado pela UCCLA em colaboração com a Câmara Municipal da Praia e onde foram realizadas várias atividades paralelas, como feira de livros e exposição, contou com a presença de cerca de 30 escritores consagrados e novos autores lusófonos.

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