Quarta-feira, Abril 8, 2020
Inicio Espectáculos & Exposições Cartaz :: Abril e Maio de 2016

Cartaz :: Abril e Maio de 2016

ESPECTÁCULOS

AGENDA

Obras de Shakespeare e Tang Xianzu no Festival de Artes de Macau

 

Os 400 anos da morte de William Shakespeare e Tang Xianzu marcam este ano a 27.ª edição do Festival de Artes de Macau. De Portugal chega Coppia, um concerto que junta dança e música num campo de ténis

 

Texto Catarina Domingues

 

A 27.ª edição do Festival de Artes de Macau (FAM), que se realiza entre 30 de Abril e 29 de Maio, traz até a cidade 27 espectáculos e mais de cem eventos. Este ano, o orçamento global sofreu um corte de sete por cento, fixando-se em 27 milhões de patacas. “Não vai afectar a qualidade”, garantiu o presidente do Instituto Cultural, Ung Vai Meng. O corte no orçamento, reflexo do momento económico de Macau, tem efeitos no número de espectáculos em cartaz – menos três do que no ano passado – e numa maior aposta na promoção online. “Este ano há uma maior poupança ao nível da impressão das publicações, como os panfletos”, acrescentou Ieong Chi Kin, chefe do Departamento de Desenvolvimento das Artes do Espectáculo do Instituto Cultural.

No ano em que se celebra o 400.º aniversário da morte de dois grandes nomes das literaturas inglesa e chinesa – William Shakespeare e Tang Zianzu, respectivamente – Macau presta homenagem aos dois mestres.

Cabe ao grupo norte-americano Shakespeare Theatre Company a abertura deste festival com a comédia romântica Sonho de Uma Noite de Verão. No dia de encerramento, é outra obra shakespeariana que volta a subir ao palco: a tragédia Macbeth, adaptada pela companhia sul-africana Third World Bunfight.

Ao longo deste mês vão estar também em cena dois trabalhos do dramaturgo chinês Tang Xianzu: excertos de O Pavilhão das Peónias do grupo de Ópera Yue Zhejiang Xiaobaihua, e a tragédia romântica Lenda do Gancho de Cabelo Púrpura, interpretada por vários artistas locais, incluindo o actor de ópera cantonesa Chu Chan Wa.

Num registo mais contemporâneo, destaque para três grandes homens do palco: o intérprete e dramaturgo norte-americano Robert Wilson apresenta o monólogo A Última Gravação de Krapp, de Samuel Becket; o coreógrafo francês Jérôme Bel aborda o tema da exclusão numa parceria com o Teatro Hora, da Suíça, que reúne actores com deficiências cognitivas no projecto Disabled Theatre, e o coreógrafo japonês Saburo Teshigawara traz a Macau Obsessão, um espectáculo de dança inspirado na curta-metragem Un chien Andalou do realizador Luis Buñuel.

De Portugal, chega Coppia com Manuela Azevedo, vocalista dos Clã. Em parceria com Hélder Gonçalves e Victor Hugo Pontes, este é um jogo entre a dança e a música num campo de ténis. Aqui joga-se com temas de David Byrne, Sérgio Godinho, Gilberto Gil, Sonny & Cher e Clã.

Mas há outros nomes portugueses em destaque nesta edição do FAM. Viagem à Última Fronteira é um projecto do artista e professor Álvaro Barbosa em conjunto com o desenhador de instrumentos musicais Victor Gama. Registos em vídeo e áudio recolhidos pelos dois numa expedição à Antárctica acompanham peças tocadas por músicos locais e pelo grupo Hong Kong New Music Ensemble, que incluem ainda composições electrónicas originais de Gama tocadas em instrumentos musicais que o próprio desenhou.

Da Casa de Portugal em Macau, o espectáculo Em Cantos conta ao público seis mini histórias mimadas ao som de composições musicais interpretadas ao vivo. Elisa Vilaça, directora artística e actriz, e um grupo de músicos sentam-se com pais e filhos sobre uma manta de retalhos para momentos de interacção.

FESTIVAL DE ARTES DE MACAU

30 DE ABRIL – 29 DE MAIO

Consultar programa em www.icm.gov.mo/fam/27/pt/

 

*****

OUTROS ESPECTÁCULOS

 

TEATRO

Unga chá di sonho, Macau

O sonho é o tema central da peça apresentada este ano pelo grupo de teatro em patuá Dóçi Papiaçam di Macau. “A nossa proposta é um sonho sobre um tempo que já não existe em Macau, é brincar com a nostalgia”, diz o encenador Miguel de Senna Fernandes.

7 e 8 DE MAIO

CENTRO CULTURAL DE MACAU

Bilhetes a MOP 250, 180, 120

 

Micro-Shakespeare, Espanha

Em Micro-Shakespeare, o Teatro Laitrum embarca num desafio: condensar cada uma das obras de William Shakespeare em cinco peças de oito minutos. Neste espectáculo interactivo, o espectador que está atrás de uma caixa de teatro – ao todo estão disponíveis cinco – vai receber instruções através de um auricular para movimentar objectos. São os movimentos do “actor” que dão vida à história.

De 12 a 15 DE MAIO

PRAÇA JORGE ÁLVARES

Entrada livre

 

DANÇA

6&7, China

Em 6, os seis bailarinos dirigidos pelo coreógrafo Tao Ye movem-se em uníssono numa paisagem de luz criada pela desenhadora sueca Ellen Ruge e acompanhados pela música do compositor de rock chinês Xiao He. Já em 7, os sete bailarinos testam os limites do corpo ao som dos efeitos acústicos criados pelas suas próprias vozes.

15 DE MAIO

CENTRO CULTURAL DE MACAU

Bilhetes a 300, 250, 180, 120

 

Deslizar, Canadá

Le Patin Libre é a primeira e única companhia de patinagem contemporânea do mundo. Deslizar foi especialmente criado para esta que é a primeira digressão do grupo de cinco bailarinos pela Ásia. Com direcção técnica de Alexandre Hamel e composição musical de Jasmin Bolvin, esta é uma combinação de patinagem artística com dança de rua.

7 e 8 DE MAIO

RINGUE DE PATINAGEM FUTURE BRIGHT

Entrada livre

 

 

***

 

EXPOSIÇÕES

AGENDA

Memórias de quem zelou pela segurança da população

 

Abertura do espaço museológico Posto do Guarda-Nocturno do Patane traça história da actividade dos guardas-nocturnos em Macau e revela como estes profissionais mantiveram uma relação próxima com a comunidade. 

Gongos, chocalhos de madeira ou apitos. Estes eram alguns dos instrumentos utilizados pelos antigos guardas-nocturnos de Macau para alertar a população para o perigo de incêndios ou roubos. Os objectos estão agora em exposição no antigo Posto do Guarda-Nocturno do Patane – o único espaço do género ainda existente em Macau e que serve de testemunho desta antiga prática na cidade.

Além do aviso sobre incêndios e roubos, na China antiga os guardas-nocturnos anunciavam também as horas. Estes serviços comunitários foram desaparecendo gradualmente. Numa tentativa de preservar a memória das antigas profissões de Macau e mostrar ao público a contribuição que os guardas-nocturnos tiveram em Macau, o Instituto Cultural (IC) e a Associação de Piedade e de Beneficência Patane Tou Tei Mio juntaram-se para revitalizar o antigo espaço, localizado na Rua da Palmeira.

“O IC procedeu gradualmente ao seu mapeamento, recuperação estrutural e renovação da fachada, com base no princípio de ‘devolver o antigo à sua forma antiga’, restabelecendo, assim, a própria arquitectura do Posto e reproduzindo características únicas, como uma pedra de retenção no interior do Posto, murais de parede e outros elementos únicos”, aponta o IC.

O instituto explica ainda que encomendou um estudo académico sobre a história das casas dos guardas-nocturnos e sobre o sistema de patrulha nocturno de Macau para fazer o planeamento temático e espacial do Posto do Guarda-Nocturno do Patane. Após o restauro, foram criadas duas salas de exposições temáticas. Na área “Os Postos dos Guardas-Nocturnos em Macau”, são apresentadas imagens e documentos que narram a história deste local e dão a conhecer a regulamentação da profissão, mostrando o aspecto interior do posto e algumas das actividades da profissão. Explica-se, por exemplo, como é que os guardas-nocturnos anunciavam as horas.

A sala inclui ainda ferramentas e objectos doados e que estão relacionados com esta profissão. Além de gongos, chocalhos de madeira e apitos, estão também em exposição recibos de serviço.

Já na sala “Imagens de Guardas-Nocturnos” estão à disposição imagens e entrevistas feitas a estes profissionais. É um projecto da autoria de artistas de Macau sobre o trabalho destes guardas-nocturnos, que zelavam pela segurança pública.

“O estabelecimento do Posto do Guarda-Nocturno do Patane não só dá a conhecer a relação próxima entre os guardas-nocturnos e a comunidade como também permite aos cidadãos compreender o desenvolvimento da cidade e promover valores tradicionais de entreajuda e de prestação de serviços em prol da comunidade”, refere o IC.

 

POSTO DO GUARDA-NOCTURNO DO PATANE

RUA DA PALMEIRA, N.º 52-54

ENCERRADO ÀS SEGUNDAS

ENTRADA LIVRE

 

*****

 

OUTRAS EXPOSIÇÕES

 

CAIXA DE MÚSICA

“Caixa de Música” é a primeira peça da série de exposições “Uma Escultura”, um projecto do Museu de Arte de Macau que visa promover o desenvolvimento da escultura contemporânea. A peça é o mais recente trabalho de grande dimensão do escultor local Sou Pui Kun, que recria uma caixa de música através de materiais antigos.

ATÉ 19 DE JUNHO DE 2016

MUSEU DAS OFERTAS SOBRE A TRANSFERÊNCIA DE SOBERANIA – MUSEU DE ARTE DE MACAU

ENTRADA GRATUITA

 

O ENCANTO DAS FLORES

Nesta exposição, arranjos florais dispostos em seis recipientes diferentes permitem entender o valor cultural da floricultura convencional chinesa. Os seis tipos de recipientes, nomeadamente o prato, a jarra, a cisterna, a taça, o tubo e o cesto, são usados nos arranjos florais tradicionais chineses como ferramentas e desempenham um papel importante na composição geral dos arranjos.

ATÉ 31 DE JULHO DE 2016

ACADEMIA JAO TSUNG-I

ENTRADA GRATUITA

 

2.ª TRIENAL DE GRAVURA DE MACAU

Com o objectivo de chegar a um maior número de pessoas, a organização da segunda edição da Trienal de Gravura de Macau estendeu alguns dos eventos por mais dois meses – a mostra no Museu de Arte de Macau e a exposição “Novo Panorama da Gravura na China”, na Galeria do Tap Seac. O evento tem como objectivo dar a conhecer o panorama das mais recentes expressões e inovações na gravura contemporânea de Macau e de todo o mundo.

ATÉ 10 DE ABRIL DE 2016

VÁRIOS LOCAIS (http://www.triennialmacau.com/exhibition/)

ENTRADA GRATUITA

 

MACAU E O CHÁ

Como antigo porto de exportação do chá para o mundo, Macau guarda relíquias culturais relacionadas com esta bebida chinesa, sob a forma de poemas, dísticos ou desenhos. Estas peças e outras memórias relacionadas com o chá podem ser vistas na Casa Cultural de Chá de Macau. O espaço, que abriu as portas há dez anos, ocupa uma área de 1076 metros quadrados e é o primeiro museu em Macau subordinado ao tema.

CASA CULTURAL DE CHÁ DE MACAU

JARDIM DE LOU LIM IOC, AV. DO CONSELHEIRO FERREIRA DE ALMEIDA

ENTRADA GRATUITA

ARTIGO