Segunda-feira, Maio 25, 2020
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Fotobiografia de Carlos D’Assumpção lançada em Macau

O livro trilingue (português-chinês-inglês), da autoria da historiadora Celina Veiga de Oliveira, constitui o segundo volume da colecção “MacauFotoBios”, publicada pelo Albergue SCM, uma organização cultural sediada no histórico bairro de S. Lázaro, presidida por Carlos Marreiros.

Intitulada “Carlos D’Assumpção – Um Homem de Valor”, a obra oferece um vasto conjunto de fotografias e documentação sobre o macaense, que foi um “advogado ilustre” e “figura de vulto nas instituições públicas e privadas do território e nos órgãos políticos de Macau”, que se destacou principalmente por ter desempenhado o cargo de presidente da Assembleia Legislativa durante quatro legislaturas consecutivas (1976-1992).

O lançamento do livro, que reúne, ao longo de 267 páginas, um vasto conjunto de fotografias e documentação sobre Carlos D’Assumpção, que, até agora, nunca tinham estado disponíveis ao público, tem lugar no mesmo mês em que se cumprem 25 anos da morte.

Uma “coincidência fantástica”, notou Celina Veiga de Oliveira, na conferência de imprensa de apresentação da obra que versa sobre um homem descrito pelo Albergue SCM como “provavelmente a figura política macaense mais marcante do último quartel do século XX e que contribuiu de forma incontornável para a construção da história recente de Macau”.

Carlos Marreiros também enfatizou a “figura indiscutível” de Carlos D’Assumpção. “Há a memória ainda presente em todos nós”, disse o arquitecto.

Marreiros lamentou que as pessoas, em particular, os mais jovens, com o ritmo acelerado dos dias que correm, não saibam quem foram figuras de relevo da terra.

E porque “uma imagem vale mais do que mil palavras”, o presidente do Albergue SCM afirmou esperar “preencher este vácuo”, dando a conhecer personalidades que “contribuíram de forma indelével para Macau, independentemente da área em que se distinguiram”, como Assumpção, um homem que fazia “a ponte entre as comunidades”.

A obra seguiu a “linha biográfica” de uma figura “preponderante na cidade”, com “uma vida muito rica”, que Celina Veiga de Oliveira divide em dois “períodos políticos”.

O primeiro até ao 25 de Abril de 1974 e outro depois. Foi, com efeito, no pós-25 de Abril que “teve uma intervenção mais forte”, sublinhou a historiadora, apontando que “não era fácil ser presidente da Assembleia Legislativa numa altura em que não se sabia muito bem qual iria ser a evolução política do território”.

Celina Veiga de Oliveira falou ainda do humor de Carlos D’Assumpção, contando um episódio do tempo em que estudou Direito na Universidade de Coimbra (1946-51).

Um colega perguntou-lhe de onde era e ele respondeu de Macau. De seguida, o colega comentou: ‘Isso é perto de Timor não é?’ e Assumpção respondeu: “Sim, é muito perto, costumo lá ir aos fins de semana de bicicleta”.

O livro divide-se em mais de uma dezena de capítulos, incluindo os “antecedentes familiares”, a “infância e juventude”, a “vida universitária em Coimbra”, o “regresso a Macau”, a “vida familiar e política”, a “inserção na democracia e o combate político”, o “rosto e a alma da Assembleia Legislativa de Macau”, ou “datas e factos marcantes da sua vida”, além de contar com depoimentos.

Depois da obra sobre Carlos D’Assumpção – cujo nome figura na toponímia de Macau, com uma alameda e um jardim –, o Albergue SCM vai alargar a colecção de “MacauFotoBios” com um livro dedicado a Chui Tak Kei, um dos mais carismáticos líderes da comunidade chinesa de Macau e antigo vice-presidente da Assembleia Legislativa, que morreu em 2007, a cargo do jornalista João Guedes, que deve ser lançado nos próximos meses, adiantou Carlos Marreiros.

A colecção, que visa contribuir para “a fixação das memórias colectivas recentes”, iniciou-se com “Vicente Jorge, Macaense Ilustre (1872-1948)”, da co-autoria de Graça Pacheco Jorge e Pedro Barreiros.

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