Sexta-feira, Dezembro 4, 2020
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‘Startups’ de Macau com espaço em Lisboa

“O Governo de Macau, através dos seus Serviços de Economia, vai ter um espaço em Lisboa para 20 empresas da China e de Macau poderem, quando quiserem ir para a Europa, utilizar Lisboa como porta de entrada na Europa e nós também vamos ter espaço aqui para os nossos empreendedores virem para Macau e terem um ‘soft landing’ [entrada tranquila, numa tradução livre]”, disse.

O secretário de Estado da Indústria falava aos jornalistas à margem do 8.º Fórum Internacional Sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas em Macau. “Gostávamos de, pelo momento da Web Summit [em Novembro], daquela grande conferência de tecnologia, poder apresentar ao mundo essa parceria”, disse João Vasconcelos.

“Seremos o primeiro país da Europa como uma parceria destas com a China e que permite a qualquer empreendedor de ambos os sítios ter um contexto mais amigável para se basear”, tanto na região chinesa como em Lisboa, acrescentou.

O Second Home, no Mercado da Ribeira, em Lisboa, é o espaço identificado para instalar as ‘startups’ (empresas em início de actividade com rápido potencial de crescimento) de Macau, disse à Lusa fonte ligada ao projecto, que explicou que numa fase inicial está previsto o estabelecimento de dez empresas em Lisboa, número que poderá estender-se até 20 ‘startups’ de Macau e China.

A ideia é ter na região chinesa “também ainda este ano, um espaço para empreendedores portugueses”, disse aos jornalistas João Vasconcelos.

Na sequência de uma visita ao Centro de Incubação de Negócios para os Jovens, ficou acordado o acesso até 70 empresas portuguesas que pretendam instalar-se no espaço definido para as ‘startups’ na região chinesa, disse à Lusa a fonte ligada ao projecto.

Esta parceria surge na sequência de uma visita a Lisboa, em Dezembro do ano passado, do secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, onde reuniu com os secretários de Estado João Vasconcelos (Indústria), Jorge Oliveira (Internacionalização) e Paulo Ferreira (Comércio).

Em comunicado divulgado na altura, Lionel Leong disse que Portugal e Macau “pretendem atrair mais ‘startups’ da União Europeia, através de Portugal, no sentido de investirem na China interior via Macau”.

Além disso, querem “aproveitar a base destinada aos empreendedores” em Macau e os acordos assinados entre Macau e três áreas da Zona de Comércio Livre da província chinesa de Guangdong (adjacente à região) “para que os jovens de Macau e da China interior invistam juntos em Portugal e no resto dos países da União Europeia”, segundo o mesmo comunicado, que cita Lionel Leong.

João Vasconcelos iniciou na segunda-feira, uma visita a Shenzhen – cidade no interior da China, que faz fronteira com Hong Kong e a uma hora de barco de Macau –, acompanhado por cerca de 20 entidades portuguesas, com foco na área da tecnologia, informática e electrónica.

Em Shenzhen, a comitiva portuguesa visitou, entre outros, centros tecnológicos e o escritório da empresa portuguesa Aptoide – uma loja de aplicações portuguesa direccionada para o Android.

A visita da comitiva, que inclui empresas como a Science4U ou Findster, estendeu-se à cidade chinesa de Zhuhai, ao Vale do Empreendedorismo em Hengqin (Ilha da Montanha) para Jovens de Macau. “Para a maior parte dos membros da comitiva é a primeira vez que vêm a Macau, e que estão a contactar com Shenzhen e com esta China tecnologicamente sofisticada”, afirmou João Vasconcelos.

O secretário de Estado da Indústria sublinhou que “nos negócios digitais não há a barreira da distância ou da logística que muitas vezes inibe negócios tradicionais de apostarem na Ásia”.

“Nestes negócios digitais em que a venda e o contacto com o cliente são digitais, a Ásia é um mercado como qualquer outro lá ao pé, na Europa. Por isso mesmo é importante trazer esta nova geração para aqui”, acrescentou.

João Vasconcelos disse que Portugal quer “estar novamente no centro do Delta [do Rio das Pérolas]”, sublinhando que esta é “uma das baías mais ricas do mundo”.

“Temos a baía de São Francisco (EUA) e temos esta baía com Shenzhen, Hong Kong, Macau e Zhuhai, e acho que é exigido a Portugal acompanhar o desenvolvimento e o papel que esta está a ter no mundo, e é isso que estamos a fazer”, afirmou.

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