Segunda-feira, Outubro 26, 2020
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Jovens universitários em um mundo em transformação: Uma pesquisa sino-brasileira

 

Os estudantes universitários chineses dedicam mais tempo ao estudo dentro e fora da sala de aula do que os brasileiros. Já o estatuto trabalhador-estudante é mais comum no Brasil do que na China. A análise, que resultou na obra Jovens universitários em um mundo em transformação: Uma pesquisa sino-brasileira, é a primeira investigação conjunta na área das Ciências Sociais entre o Brasil e a China.

Mais de metade (52,5 por cento) dos alunos universitários brasileiros concilia trabalho e estudos, ao passo que na China apenas um quarto dos estudantes do ensino superior o faz. No que diz respeito à diferença entre sexos, na China há mais mulheres a estudar e a trabalhar ao mesmo tempo, sendo que no Brasil não existe diferença significativa entre os géneros, apesar dos homens estarem ligeiramente em maioria nesta situação.

Estes são alguns dos resultados do estudo Jovens universitários em um mundo em transformação: Uma pesquisa sino-brasileira, obra bilingue português-chinês publicada em finais de 2016. Trata-se da primeira investigação conjunta Brasil-China no campo das Ciências Sociais e apresenta um retrato comparativo das origens sociais e quotidiano dos universitários brasileiros e chineses, valores, modos de vida, expectativas e ambições em relação ao mercado laboral. Segundo Eduardo Luiz Zen, um dos colaboradores e organizadores desta investigação, como o sistema de ensino chinês é mais exigente em termos de carga horária, torna-se difícil para os universitários chineses conciliar estudos e trabalho.

No que diz respeito à participação associativa dos estudantes universitários, são os chineses que, segundo o estudo que inquiriu 4137 estudantes, estão mais envolvidos em actividades de associações. No Brasil, onde há maior presença dos jovens universitários no mercado de trabalho e cargas horárias mais elevadas, 7,2 por cento dos jovens entrevistados participam ou participaram em algum sindicato. Na China, onde se concilia menos o estudo com o trabalho, o índice de sindicalização é quase o dobro do brasileiro – 13,5%.

 

 

Outros resultados desta pesquisa demonstram que, em ambos os países, um grande número de jovens quer prosseguir com os estudos após terminar a licenciatura – 63,4% por cento dos jovens brasileiros e 46,8 por cento dos chineses querem investir numa pós-graduação. O início de um novo curso é a expectativa de 10,2 por cento dos brasileiros e de 6,5 por cento dos chineses. “A obtenção de diplomas e certificados de formação tradicional se insere na estratégia das famílias e dos próprios jovens para obter garantias de uma suposta maior e melhor empregabilidade, de realização profissional e mobilidade social ascendente.” Na China, essa estratégia familiar faz-se ainda mais relevante devido à política do filho único e dos futuros encargos com os pais na velhice. De realçar ainda que a grande maioria dos jovens universitários brasileiros pretende construir uma carreira na sua área de formação. Entre os chineses, o número de jovens universitários que ambiciona seguir carreira fora da área de estudo e até mesmo aqueles que dizem não pretender trabalhar é superior.

Quanto ao tempo dedicado aos estudos, o levantamento conclui que os chineses não só ficam mais tempo na sala de aula, como dedicam mais tempo de estudos fora dela. A percentagem da média semanal do tempo em sala de aula que ultrapassa 25 horas é de 49,3 por cento entre os chineses, em contraste com os 25,5 por cento dos brasileiros. No que diz respeito aos estudos fora da sala de aula, quase 40 por cento dos alunos do país asiático estudam mais de 11 horas por semana e 13,9 por cento mais de 20 horas, em comparação com os brasileiros, que apresentam números inferiores – 27,7 por cento e 7,1 por cento, respectivamente.

Fruto de um acordo de cooperação entre o Instituto de Pesquisa Económica Aplicada, a Sociedade Brasileira de Sociologia, o Centro de Pesquisa em Infância e Juventude da China e a Associação de Pesquisa em Infância e Juventude da China, o estudo foi realizado a partir de questionários junto a estudantes universitários de 12 instituições das regiões de São Paulo e Distrito Federal, no Brasil, e de Xangai e Pequim, na China. Os resultados do estudo estão organizados em 12 capítulos assinados por diferentes investigadores (11 brasileiros e 13 chineses). A obra completa está disponível gratuitamente para download em http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/livros/160715_livro_jovens_universitarios.pdf

 

JOVENS UNIVERSITÁRIOS EM UM MUNDO EM TRANSFORMAÇÃO: UMA PESQUISA SINO-BRASILEIRA

Instituto de Pesquisa Económica Aplicada (Brasília) e Academia Chinesa de Ciências Sociais (Pequim), 2016

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