Segunda-feira, Março 8, 2021
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Turismo | Crescimento sustentado 

 

 

 

Texto João Gonçalves 

 

São 91 planos de acção, oito objectivos-chave e 33 estratégias para a próxima década do turismo em Macau. A Direcção dos Serviços de Turismo divulgou, em Setembro, a versão final do “Plano de Desenvolvimento da Indústria do Turismo de Macau”, plano este inserido na iniciativa nacional “Uma Faixa, Uma Rota”, bem como na ideia do Governo da RAEM de criar um Centro Mundial de Turismo e Lazer. Este documento vem, assim, dar a conhecer quais as linhas de acção a seguir até 2030. 

Segundo o organismo, o Plano Geral não é estático e todo o seu conteúdo será periodicamente revisto e ajustado segundo as tendências presentes do mercado. O documento decorre das orientações estabelecidas no “Plano Quinquenal de Desenvolvimento da RAEM (2016-2020)” e aposta forte no investimento e desenvolvimento do sector não jogo, promovendo diferentes experiências e produtos turísticos diversificados aos visitantes (designadamente no que respeita aos locais de entretenimento e às actividades de lazer), bem como a melhoria na qualidade do sector turístico através da gestão, formação e investimento para que Macau se integre a nível internacional. Também se sublinha o desejo de explorar ao máximo a história e a cultura única de Macau, como factor de promoção e diferenciação da cidade junto dos visitantes. 

Acolhendo o total apoio do Governo Central, este plano reforça a importância de Macau como ponto estratégico no intercâmbio cultural e na comunicação entre o Oriente e o Ocidente, sendo sua intenção elevar Macau a um destino internacional de turismo e lazer, diversificando, simultaneamente, a sua economia e elevando a qualidade de vida dos residentes. 

 

Resposta a desafios concretos 

Este Plano serve fundamentalmente como ferramenta de referência para lidar com alguns problemas que têm surgido, relacionados, designadamente, com o uso de terrenos, recursos humanos e outros aspectos, de modo a promover o sector do turismo com uma melhor estratégia para que os mesmos possam ser solucionados de forma sustentável. 

O processo de investigação, constituído por três fases, desenrolou-se durante dois anos de trabalhos de pesquisa, de inquéritos, entrevistas e análises, incluindo ainda dois meses de Consulta Pública, no intuito de apresentar um plano que melhor respondesse às espectativas tanto dos residentes, como dos visitantes. 

Numa primeira fase, foi efectuada uma abrangente pesquisa que se debruçou, essencialmente, sobre a análise das políticas de turismo e de desenvolvimento global, visitas de familiarização em 76 locais e pontos turísticos, entrevistas com serviços públicos e profissionais da indústria, um fórum internacional onde participaram nove especialistas, como ainda inquéritos a residentes e visitantes. Desta primeira fase decorreram as primeiras conclusões preliminares e as propostas de estratégias sobre os planos apresentados. Numa segunda fase iniciou-se o processo de Consulta Pública, seguindo-se o trabalho de avaliação realizado por um grupo de especialistas. Na terceira fase chegaram-se às sugestões finais com recolha de opiniões a vários serviços públicos e profissionais da indústria do turismo, como também uma avaliação final por seis especialistas. 

Relativamente às conclusões tiradas aos resultados dos inquéritos aos visitantes, verificou-se que estes estavam satisfeitos com a experiência da viagem a Macau, principalmente com as acomodações nos hotéis, pontos turísticos e com os postos fronteiriços. Em relação aos motivos de insatisfação, o resultado das respostas indica problemas com as deslocações nos meios de transporte e a falta de diversidade de produtos turísticos. Outros factores de manifesta insatisfação, com margem para melhorias, foram o nível de congestionamento em atracções turísticas e ainda o preço dos hotéis e dos restaurantes. 

Os inquéritos aos residentes apresentaram como base de análise o impacto da indústria do turismo na qualidade de vida em Macau. Essencialmente, os residentes manifestam preocupação com o preço dos produtos locais, o aumento das rendas comerciais e o congestionamento rodoviário. No entanto, o balanço apresenta-se positivo, dado que, em geral mostram que estão satisfeitos com o desenvolvimento actual da indústria do turismo em Macau e que apoiam o posicionamento de Macau como Centro Mundial de Turismo e Lazer, desejando que sejam efectuadas melhorias nas infra-estruturas da rede de transportes para que residentes e visitantes se possam deslocar convenientemente. É ainda de evidenciar a menção, por parte dos entrevistados, do actual excesso de visitantes e a falta de entretenimento e atracções. 

No que respeita aos benefícios para a qualidade da vida da população decorrentes das medidas estabelecidas no Plano, os gráficos de dados recolhidos pela equipa de planeamento referem que estas poderão vir a contribuir para uma melhoria das opções de restauração, entretenimento e comércio, bem como para a preservação dos edifícios históricos e património cultural. De sublinhar ainda a possibilidade do surgimento de novas e melhores oportunidades locais de emprego. 

Como resultado da investigação efectuada, foram identificadas 10 questões principais: equilíbrio entre o desenvolvimento da indústria do turismo e o desenvolvimento social; aproveitar o máximo as tendências de crescimento do turismo regional; continuar a responder à intensa competitividade do ambiente da indústria do turismo; elevar o valor do turismo; aproveitar o máximo as tecnologias inovadoras; promover a diversificação dos produtos turísticos; aproveitar eficazmente os recursos de terrenos; gerir adequadamente as multidões nas áreas congestionadas; diminuir o impacto do turismo no meio ambiente; e, por fim, desenvolver a cooperação com os participantes do sector do turismo. 

Destas principais questões decorreram os oito objectivos-chave, no intuito de concretizar a visão de Macau como Centro Mundial de Turismo e Lazer. 

 

Objectivos à lupa 

O primeiro objectivo passa por aumentar a diversidade dos produtos e experiências turísticas. A concretização desse objectivo passa pela introdução de novos elementos, tais como espaços junto à água, a organização de novas actividades e a diversificação das opções de alojamento, dando resposta a um leque mais abrangente de visitantes – e destacando Macau como um destino único no mundo, assente na singularidade e na qualidade da oferta. 

O segundo objectivo visa a melhoria da qualidade e as competências dos serviços turísticos prestados de modo a que se coadune com os padrões de exigência internacionais. 

Já o terceiro, pretende construir a imagem do território como um destino turístico de múltiplas estadias e desenvolver mercados de turismo de segmento alto, tendo como finalidade a diversificação do produto a oferecer (designadamente através do desenvolvimento do turismo de negócios, convenções e exposições), o que conduz à diversificação do tipo de visitantes e ao aumento do tempo de estadia. 

No âmbito do quarto objectivo tenciona-se optimizar o modelo de desenvolvimento urbano, dando resposta não só aos interesses dos visitantes mas também aos da população residente. Isso passa pelo desenvolvimento de novas áreas turísticas, de lazer e recreativas, pela melhoria da rede rodoviária e transportes e a criação de novas zonas pedonais. 

O documento analisa ainda a monitorização e gestão do território em termos turísticos, a optimização dos procedimentos administrativos e interdepartamentais e o reforço da imagem de Macau no exterior. 

 

Previsões 

O Plano Geral de Desenvolvimento da Indústria do Turismo de Macau também faz uma série de previsões sobre o crescimento do sector. As estimativas de crescimento moderado referidas no documento indicam três a cinco por cento de crescimento anual de visitantes, atingindo entre 38 e 40 milhões em 2025. A verificar-se essa estimativa, estamos perante um aumento de 29,4 por cento no número de visitantes. Numa estimativa de baixo crescimento, ou seja, entre um e dois por cento em termos anuais, as previsões para 2025 apontam para entre 33 e 35 milhões de visitantes. 

Em declarações à imprensa à margem da apresentação do Plano, a directora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes, disse que o Governo não tem como meta atingir esses 40 milhões de visitantes no espaço de oito anos, mas que essa é uma possibilidade para a qual é preciso estar preparado e dar resposta. “É uma previsão, de acordo com as tendências e com o que está a acontecer no mundo, e de acordo com muitos estudos que temos feito, é uma possibilidade”, afirmou. “Por causa disso, temos de ter planos concretos. Se isso se concretizar, como é que vamos fazer? Estamos a falar em criar novas zonas, gerir melhor o fluxo de turistas, e estar preparados para dar resposta em termos de aumento, mas não estamos à procura activamente deste aumento”, acrescentou. 

A directora dos Serviços de Turismo defendeu ainda melhorias nas infra-estruturas de transportes, e apontou a futura ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau como a “mais importante para conseguir uma ligação direta ao aeroporto de Hong Kong”, referindo também que é preciso “promover melhor” o serviço já existente que faz a conexão entre os barcos que ligam as duas regiões especiais chinesas aos respetivos aeroportos. A ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, considerada a maior travessia do mundo sobre mar, deverá ser concluída ainda este ano. 

Por outro lado, o metro ligeiro de Macau, que no plano apresentado surge descrito como a “espinha dorsal” para melhorar o trânsito na cidade, é visto como “uma possibilidade de melhorar e de dar uma melhor resposta aos transportes, sobretudo na área da Taipa e do Cotai [zona de casinos entre as ilhas da Taipa e de Coloane]”. “O metro ligeiro, em princípio, será concluído em 2019, e este é uma peça importante em termos de política de transporte de Macau, não é só o turismo”, afirmou. 

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