Quarta-feira, Dezembro 2, 2020
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Fotografias de João Miguel Barros contam histórias onde os detalhes importam

A mostra, que é inaugurada na hoje, às 19:00 [hora local], no Museu Colecção Berardo, foi apresentada aos jornalistas numa visita guiada pelo autor, e pela directora artística do museu, Rita Lougares.

“São 14 capítulos independentes e todos são acompanhados por um texto ficcionado”, explicou João Miguel Barros, aconselhando que a exposição deve ser vista “como quem lê um livro de contos”.

O amor, as árvores, o mar, uma ponte “mágica” parcialmente apagada pelo nevoeiro, um combate de boxe, espaços como um teatro e ruas humildes escondidas atrás de outras que contrastam pelo luxo de restaurantes e lojas, em Hong Kong, são alguns dos temas do conjunto.

A exposição foi pensada para ser apresentada num dos espaços do piso -1 do Museu Berardo, onde as imagens se estendem, acompanhadas pelo texto e um vídeo, dedicado às marés, filmado em Sintra.

“Há muitos detalhes que não vemos habitualmente porque temos uma vida muito apressada”, comentou João Miguel Barros, acrescentando que o material usado nas fotos também proporciona um acesso especial aos pormenores.

As imagens foram impressas num papel metalizado, que permite a visualização de detalhes, protagonistas das histórias ficcionadas.

Fotógrafo e curador, João Miguel Barros nasceu em 1958, e é advogado de profissão, em Lisboa e Macau, território ao qual tem uma grande ligação, e é alvo de muitas das imagens que tem captado.

Barros foi director da revista de cultura e artes visuais “SEMA” (1979-1982) e recentemente começou a expor os seus trabalhos, tendo publicado o livro de fotografia “Between gaze and hallucination”, e tem vindo a estudar os principais artistas contemporâneos chineses.

“As minhas origens são de Portugal, mas tenho grande influência da Ásia, e da fotografia japonesa e chinesa”, disse à Lusa, confessando “uma grande paixão pela fotografia a preto e branco”.

Sobre as histórias, indicou que “partem de momentos”, e que as imagens “procuram dar sentido ao real, mostrando universos de pequenas complexidades”.

Em algumas das narrativas, o autor procura prestar homenagem às pessoas, como na última série, de retratos de habitantes humildes da região da Ásia, na da série de imagens sobre o boxe, um desporto pelo qual não se interessa – mas, ao ter a oportunidade para assistir e fotografar um combate, interessou-se pelos protagonistas, e captou centenas de imagens, com as quais pensa fazer um trabalho mais alargado.

A exposição, que ficará patente até 3 de Junho no Museu Berardo, será acompanhada pelo lançamento de um catálogo em edição limitada, assinada e numerada.

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