Quarta-feira, Abril 8, 2020
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Cartaz :: Abril e Maio de 2018

ESPECTÁCULOS

AGENDA

 

FAM EXPLORA “ORIGENS” E PRODUÇÕES REGIONAIS

 

O Festival de Artes de Macau, que decorre entre 27 de Abril e 31 de Maio, “procura explorar outros espectáculos que não os ocidentais”, revelou a presidente do Instituto Cultural na apresentação do programa. Nesta edição os espectáculos oriundos do continente asiático totalizam 23 por cento da programação total

 

Texto Catarina Domingues

 

A 29.ª edição do Festival de Artes de Macau (FAM) parte este ano numa viagem em busca das “origens” – esse é o tema desta edição – e a proximidade geográfica é um dos pontos de partida. “Esta edição inclui espectáculos provenientes de 11 países e regiões, que revelam não só arte de vanguarda, como procuram explorar outros espectáculos que não os ocidentais”, disse a presidente do Instituto Cultural na apresentação do cartaz do próximo FAM, que decorre entre 27 de Abril e 31 de Maio. Mok Ian Ian referiu que nos anos anteriores os espectáculos apresentados por artistas e companhias asiáticas totalizavam cerca de 15-16 por cento da programação total, sendo que este ano houve um aumento para 23 por cento. China, Filipinas, Japão e Coreia do Sul são alguns dos países que representam esta região do globo.
Cabe a “Das Kapital” a grande abertura. No ano em que se assinala o 200.º aniversário do nascimento de Karl Marx, a peça de teatro apresentada pelo Centro de Artes Dramáticas de Xangai traz uma nova versão do clássico do pensador alemão. “Ao incorporar teorias ocultas com tópicos sociais actualmente em aceso debate, como a crise financeira e a especulação imobiliária, a peça ilustra as duas faces do capital recorrendo ao humor negro”, pode ler-se no programa distribuído aos jornalistas.
Das Filipinas chega “Acompanhante”, trabalho da coreógrafa e bailarina Eisa Jocson. A artista sobe ao palco do Edifício do Antigo Tribunal nos dias 12 e 13 de Maio. Esta é uma viagem pelos sentidos e pelo Japão, descreve a organização. “Nos clubes de acompanhantes de Tóquio, mulheres e transexuais das Filipinas dedicam-se a prestar um ‘serviço de afectos’, desempenhando um papel de companhia feminina, destinado sobretudo aos trabalhadores de colarinho branco.”
Ainda de acordo com declarações prestadas pela presidente do Instituto Cultural, a edição deste ano, que traz a Macau 26 espectáculos e mais de 100 eventos, revela também uma maior “interactividade entre artistas locais e estrangeiros”. “Pôr-do-Sol nos Estaleiros”, pela Dream Theatre Association, aborda o percurso da indústria da construção naval em Macau; a peça de teatro “Migrações”, criada pelo Teatro Experimental de Macau, explora o tema actual da imigração e traz ao palco trabalhadores emigrantes.
Na 29.ª edição do festival, a tradição mantém-se e “os clássicos das artes tradicionais refinam-se com o tempo”, nota o Instituto Cultural. Em “O Sonho da Câmara Vermelha” vive-se um amor impossível. Chu Chan Wa, veterano da ópera cantonense de Macau, colabora aqui com um grupo de artistas locais para dar a conhecer ao público este clássico da literatura chinesa.

29.º FESTIVAL DE ARTES DE MACAU
27 de Abril – 31 de Maio de 2018
Programa completo: http://www.icm.gov.mo/fam/29/pt/

 

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MAIS NO FAM

 

PARASOMNIA
Teatro imersivo com recurso a instalações de imagens e sons leva os espectadores a reflectirem sobre os estados de sono e consciência através de artes visuais, poemas e sugestões interactivas. A artista portuguesa Patrícia Portela transforma a Casa do Mandarim em várias divisões, incluindo sala de estar, quarto, casa de banho, sala de leitura e sala-mistério.

2-6 de Maio de 2018
Casa do Mandarim
Bilhetes a MOP 150

 

QUI DI TACHO? (QUE É DO TACHO?)
O Grupo de Teatro Dóci Papiáçam di Macau volta a subir ao palco do Festival de Artes de Macau para apontar os males sociais através do sarcasmo. Gastronomia e outros assuntos actuais são os ingredientes deste trabalho que tem com o objectivo pôr as pessoas a reflectir.
19-20 de Maio de 2018
Centro Cultural de Macau
Bilhetes a partir de MOP 150

 

JÚLIA IRRITADA
A peça relata um conflito de amor e luxúria entre Júlia, filha de um conde, e Jean, o criado do conde. “Como é que nós, que vivemos numa cidade asiática pós-colonial do século XXI, vemos as questões de poder, classe e identidade subjacentes à peça?”, lê-se no programa do Instituto Cultural.
Uma equipa de artistas de Macau e de Singapura, liderada por Nelson Chia, director artístico da companhia Nine Years Theatre, apresenta a obra do dramaturgo sueco August Strindberg, Menina Júlia.
11-12 de Maio de 2018
Teatro Dom Pedro V
Bilhetes a partir de MOP 180

 

RUA VANDENBRANDEN, 32
Seis habitantes de uma comunidade que vive numa montanha enfrentam a solidão. O grupo belga de teatro físico Peeping Tom é conhecido por desenvolver trabalhos provocadores e vai apresentar “uma colisão hiper-realista com feitos físicos de nos deixar boquiabertos”, escreve o Instituto Cultural. Com banda sonora de Bellini, Stravinsky e Pink Floyd, a peça foi inspirada no filme “A Balada de Narayama”, de Shohei Imamura, onde uma mulher idosa é levada pelo filho para o topo da montanha para ali morrer.
5 de Maio de 2018
Centro Cultural de Macau
Bilhetes a partir de MOP 120

 

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EXPOSIÇÕES

AGENDA

 

Arte no Feminino

 

“Mulheres Artistas – 1.ª Bienal Internacional de Macau” apresenta obras de 132 mulheres artistas de 23 países e regiões. “As mulheres estão a ocupar um espaço que é o seu no mundo da arte e isso não é um fenómeno passageiro”, revelou o curador do evento José I. Duarte

 

Texto Catarina Domingues

 

Ainda há um ano, o Albergue SCM assinalava o Dia Internacional da Mulher com 28 trabalhos de artistas lusófonas. “Uma tentativa de fazer uma aproximação a um grande evento com arte de mulheres”, recorda José I. Duarte, co-organizador dessa exposição.

Um ano depois nascia então “Mulheres Artistas – 1.ª Bienal Internacional de Macau”: são 142 obras de 132 mulheres artistas provenientes de 23 países e regiões.

Do acervo do Museu de Arte de Macau, que organizou a mostra em parceira com o Albergue SCM, foram escolhidos 41 trabalhos, produzidos entre a década de 1970 e os dias de hoje; os restantes 101 são da responsabilidade dos curadores José I. Duarte e Lina Ramadas, que representam a Galeria 57 Macau.

A portuguesa Paula Rego trouxe a Macau “Nossa Senhora das Dores”, parte de uma série de pinturas com base na obra “A Relíquia” de Eça de Queirós, um dos escritores de eleição da artista, que se fez representar na inauguração pela filha Victoria Willing. A mostra reúne, além disso, outros nomes consagrados da pintura portuguesa, como é o caso de Vieira da Silva e Graça Morais. Nela Barbosa, de Cabo Verde, Isabel Teixeira de Sousa, de Angola, e Manuela Jardim, da Guiné-Bissau, são algumas das artistas oriundas dos países de língua portuguesa, embora muitas outras geografias estejam aqui representadas, como é o caso da China, Estados Unidos, Irão, Espanha, entre outras.

“Esta procurou ser uma mostra com mulheres de todo o mundo, mostrando diferentes temáticas, diferentes técnicas, e o objectivo principal foi mostrar que a arte feita por mulheres está viva, criativa e dinâmica, e que as mulheres estão a ocupar o seu espaço por mérito, talento e não por outras razões”, disse à MACAU o curador José I. Duarte.

Ao grupo de artistas representadas nesta primeira bienal, juntam-se ainda nomes de Macau, como é o caso de Marta Ferreira, Sofia Bobone e Ana Jacinto Nunes. Aqui houve uma “preocupação diferente”, nota ainda o curador, revelando que na secção local encontram-se “sobretudo artistas mais jovens”.

“Não são ainda artistas consagradas, não têm uma grande obra, mas achámos que era importante dar essa simbologia também à iniciativa. As mulheres estão a ocupar um espaço que é o seu no mundo da arte e isso não é um fenómeno passageiro, é um fenómeno que tem continuidade, porque se nós olharmos – e Macau é um bom exemplo disso – para as gerações mais novas, a presença das mulheres é fortíssima nessas gerações”, concluiu José I. Duarte.

 

Museu de Arte de Macau

Até 13 de Maio de 2018

Entrada livre

 

 

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PARA VER

 

Marc Chagall, Luz e Cor no Sul de França

“Marc Chagall: Luz e Cor no Sul de França” explora a omnipresença da luz e da cor nos seus trabalhos das décadas de 1950 a 1970, inspirados no deslumbrante mar Mediterrâneo e nas paisagens brilhantes da Riviera Francesa”, escreve a organização da primeira exposição em Macau dedicada ao pintor.

Entre 1 de Junho e 26 de Agosto de 2018

Museu de Arte de Macau

Entrada livre

 

 

Din Dong x Taipa Village Creative Art Competition

A Associação Cultural da Vila da Taipa apresenta 75 trabalhos de arte criados por estudantes que participaram na competição “Din Dong x Taipa Village Creative Art Competition” de 2017. De acordo com a organização, esta mostra tem como objectivo “reconhecer talentos excepcionais entre os jovens locais e oferecer-lhes uma plataforma onde possam demonstrar a sua criatividade”.

Até 13 de Abril

Taipa Village Art Space

Entrada livre

 

 

Pinacotroca

Os trocadilhos são jogos de palavras que exploram os múltiplos significados dos termos e expressões, ou de palavras que têm sonoridade semelhante, com um efeito humorístico ou retórico propositado. Reconhecendo nesse processo um potencial para criar imagens ambíguas e bizarras, Rodrigo de Matos, cartoonista editorial a residir em Macau, transpõe as barreiras do possível para produzir 30 pinturas e ilustrações do mundo surreal e visualmente absurdo.

Até 21 de Abril de 2018

Creative Macau

Entrada livre

 

 

Centro Ecuménico Kun Iam

Com a passagem do tufão Hato por Macau, esta galeria dependente do Museu de Macau sofreu danos no interior e exterior. Recentemente reaberto, o público pode visitar a Sala de Contemplação no piso superior, cuja cúpula está repleta de imagens e textos relacionados com o budismo, taoismo, confucionismo, entre outros. No andar inferior encontra-se a Sala Polivalente e uma pequena biblioteca com mais de 800 livros e material audiovisual sobre filosofia e religião.

Aberto entre 10h00 e 18h00 (encerra às sextas)

Entrada livre

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