Segunda-feira, Outubro 26, 2020
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Macau estreita ligações com o Brasil

 

Texto Irene Leong | Fotos GCS

Dar a conhecer aos brasileiros o papel de Macau como plataforma com vista ao reforço da exploração mútua dos mercados da China e do Brasil foi o objectivo que levou o secretário para a Economia e Finanças da RAEM até ao país sul-americano, no final de Junho, depois da passagem por Portugal. Lionel Leong Vai Tac mostrou-se satisfeito com os resultados da visita e, por sua vez, os governantes brasileiros prometeram que estarão mais atentos a Macau e ao papel que se presta a desempenhar no impulso das relações económicas e comerciais sino-lusófonas.

Cidades como o Rio de Janeiro e Brasília fizeram parte do itinerário da comitiva encabeçada por Leong. Na capital brasileira, o secretário para a Economia e Finanças de Macau avançou que seriam estudadas medidas destinadas a reduzir os limites de acesso ao Fundo de Cooperação e Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa, de forma a levar a que mais empresas possam usufruir dos benefícios do fundo.

Sublinhando a importância de Macau contar com um sector financeiro com características próprias, que considera “ser um importante elemento para Macau na qualidade de plataforma” entre a China e os países de língua portuguesa, admitiu a esperança de que o Brasil pudesse usar cada vez mais a plataforma de Macau para actuar na China.

 

Rio de Janeiro quer mais negócios com Pequim

Da parte de quem jogava em casa, a receptividade foi assinalável. Francisco Dornelles, vice-governador do Estado do Rio de Janeiro, admitiu, no encontro com o titular da pasta das Finanças da RAEM, que o Estado brasileiro vinha dando crescente atenção à actuação de Macau no impulso das relações económicas e comerciais sino-lusófonas. Após reunião com a comitiva, na sua passagem pela “Cidade Maravilhosa”, Francisco Dornelles destacou o papel de Macau enquanto plataforma de serviços para a cooperação comercial sino-lusófona e reconheceu que a região tem tudo para dar um “impulso no desenvolvimento económico e comercial entre o Brasil e a China”.

Citado numa nota do Gabinete de Comunicação Social de Macau, o governante brasileiro defendeu ainda que as duas partes devem “continuar a reforçar a cooperação em várias áreas, especialmente, na economia e comércio, no turismo, na cultura e na educação, acreditando no estreitamento das relações bilaterais e na obtenção de resultados mais concretos”.

Francisco Dornelles chegou mesmo a concordar designar o secretário da Casa Civil e Desenvolvimento Económico, Sérgio Pimentel Borges da Cunha, para manter uma comunicação directa com os serviços competentes de Macau, a fim de “iniciar e impulsionar a cooperação” bilateral.

 

Um centro de convenções

Da parte de Macau, Lionel Leong deixou o convite ao Governo do Rio de Janeiro para organizar entre os serviços públicos e outros sectores da economia brasileira a realização de uma visita e participação num ou mais dos três eventos maiores do sector das convenções e exposições em Macau: o Fórum Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas, o Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental e a Feira Internacional de Macau (MIF).

O secretário para a Economia e Finanças sublinhou que o Governo da RAEM tem vindo a impulsionar, de forma bastante activa, a diversificação económica e a promoção de novas indústrias, nomeadamente o desenvolvimento financeiro com características próprias, bem como o sector de exposições e convenções, centrando a sua atenção nas convenções. Lionel Leong salientou também que o estabelecimento formal da sede do Fundo de Cooperação e Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa irá, no futuro, fomentar o investimento entre a China, Brasil e Macau.

 

Macau num dos vértices da Grande Baía

Oportunidades únicas de investimento é o que os empresários brasileiros podem esperar de um maior envolvimento com a RAEM, até pela sua participação nas políticas de reformas gerais da China, mais precisamente no planeamento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e no apoio à construção da iniciativa global de infra-estruturas “Uma Faixa, Uma Rota”, e na criação de “Um Centro, Uma Plataforma”.

Esse panorama promissor foi explanado aos responsáveis brasileiros, juntamente com a manifestação do empenho oficial no estabelecimento em Macau de um centro de compensação/liquidação em renmibi junto dos países de língua portuguesa. Lionel Leong sublinhou que os empresários do Brasil devem, através da plataforma de entrada ao mercado que Macau representa, aproveitar as “oportunidades únicas da China”.

Com o próximo anúncio dos pormenores referentes à Grande Baía, lembrou o secretário para a Economia e Finanças da RAEM, serão criadas condições para as empresas de fora entrarem neste imenso mercado composto por nove grandes cidades chinesas e duas regiões administrativas especiais, com uma área de 56 mil quilómetros quadrados, uma população de 67 milhões de pessoas e um PIB superior a 1,3 biliões de dólares norte-americanos (mais de 10 biliões de patacas).

Lionel Leong deixou desde logo o compromisso do Governo da RAEM em manter com as autoridades e demais entidades do Brasil uma relação de proximidade, com o objectivo de prestar informações aos serviços públicos e empresas sobre o mercado da China e as respectivas oportunidades de investimento. Quando Pequim lançou a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, lembrou o chefe da comitiva de Macau, deixou desde logo o desafio incentivando os países de língua portuguesa, tendo à cabeça o Brasil – maior mercado de língua portuguesa e uma das principais economias emergentes do mundo e integrante, juntamente com a China, do bloco conhecido como BRICS –, a participarem na iniciativa.

 

Brasil e a China cada vez mais próximos

O secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão do Brasil, Gleisson Rubin, por sua parte, destacou a forte ligação económica e comercial que o Brasil e a China têm cultivado nos últimos anos, e disse que Macau, ao desempenhar o seu papel de plataforma, exercia um importante contributo para reforçar a relação entre os dois países facilitando dessa forma a entrada de pequenas e médias empresas brasileiras nos mercados chineses.

Por seu turno, o vice-ministro do Comércio e Serviços do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Brasil, Douglas Finardi Ferreira, manifestou, durante a reunião em Brasília, a convicção de que o trabalho realizado pelo Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau) vai permitir uma maior cooperação tripartida.

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