Sábado, Maio 30, 2020
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De Macau para os palcos de Londres

Texto Luciana Leitão 

É filho de pai canadiano e mãe norte-americana, ambos residentes permanentes de Macau. Cresceu no território até concluir o ensino secundário, na Escola das Nações, mas o interesse pelas artes performativas fez parte da sua infância e juventude. “O gosto pelo teatro foi cultivado pelos meus pais”, explica à MACAU. Mas foi com a participação na escola no musical “Oliver!” que verdadeiramente se entusiasmou com a área e pensou prosseguir profissionalmente.  

Em Macau, os pais incutiram-lhe o gosto pelas artes performativas, inscrevendo-o em workshops e levando-o a assistir a espectáculos. Na escola, participou em várias peças de teatro e, depois de concluído o ensino secundário, partiu para Londres para uma carreira na área.  

Ciente de que ser bem-sucedido neste sector é difícil em qualquer parte do mundo, Zach acabou por conseguir entrar e concluir a formação na prestigiada Escola de Música e Teatro Guildhall de Londres. “O curso era muito exigente. O dia começava às 9h00 e algumas vezes terminava às 21h30”, recorda.  

Mas nunca pensou desistir. “Brinquei com a ideia se isto seria certo para mim, mas nunca pensei abandonar o teatro”, acrescenta. Tal como qualquer outro trabalho, há “altos e baixos” e, no caso de uma “indústria que pode ser muito imprevisível”, tudo “se amplia”.  

Em Macau, Londres, Nova Iorque ou qualquer outro lado do mundo, “o teatro é sempre difícil”. Por isso, Zach defende: “É preciso desafiares-te constantemente de forma a progredir numa indústria que poderá ter centenas de pessoas com um perfil semelhante”. 

Um homem de vários talentos 

Esta constante luta por se desafiar é visível na página da Internet da Escola de Música e Teatro Guildhall, que enumera as várias competências de Zach. Assim, além de representar, o jovem actor sabe cantar, bem como tocar piano, percussão e guitarra.  

É também um grande bailarino em estilos como as danças do século XX, de época e de rua, bem como no ballett, dança moderna, contemporânea e jazz. Além disso, é um praticante de diferentes modalidades desportivas, que vão do basquetebol e do futebol, passando pela natação e atletismo, até ao pingue-pongue.  

Em destaque também na página da Escola de Música e Teatro Guildhal, está a atribuição da Bolsa Laurence Olivier 2017, pela The Society of London Theatre. Trata-se de um prémio que visa ajudar estudantes com talento que se encontram no último ano da escola de teatro. Da lista de anteriores vencedores constam nomes como os de Ewan McGregor, Michaela Coel, Paterson Joseph e Denise Gough. 

 

O primeiro papel e o futuro 

É assim que, aos 21 anos, Zach se encontra agora a preparar-se para o seu primeiro grande papel, na peça “Eu e Tu”, que estará em cena no Teatro de Hampstead de Londres, de 18 de Outubro a 24 de Novembro. 

“Eu e Tu” é a história de uma menina (Maisie Williams) doente, confinada ao seu quarto, que recorre às redes sociais para ter companhia. Entretanto, um dia, o colega Anthony (Zach Wyatt) aparece em sua casa, sem convite, para fazer um projecto escolar, que deveria ser entregue no dia seguinte. Dali nasce uma improvável amizade, que dá origem a um vínculo misterioso. 

Zach Wyatt desempenha um papel central nesta peça, mas o actor afirma “não ter expectativas”, mantendo-se apenas “entusiasmado” e “ansioso” por começar.  

Sobre o futuro, depois de terminado este papel, é difícil fazer previsões. Apenas sabe que “gostaria de continuar a trabalhar em teatro e tentar também a sua sorte na televisão e no cinema”.  

Londres é por agora a sua “segunda casa”, até porque a capital “parece ter tudo”, incluindo uma história rica no teatro. Macau, porém, continua a ser uma “casa”, até porque é ali que estão os pais. “Volto de vez em quando, normalmente pelas férias”, destaca. 

Quanto a possíveis incursões profissionais no território, Zach afirma: “Tudo é possível. A maravilha de poder interpretar diferentes personagens é que com frequência te levam onde nunca imaginarias.” 

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