Quarta-feira, Agosto 5, 2020
Inicio Macau Relações China-Angola relançadas

Relações China-Angola relançadas

Texto José Carlos Matias 

O presidente angolano, João Lourenço, encerrou uma visita de dois dias à China, em Outubro, com garantia e um empréstimo de dois mil milhões de dólares e elogios do homólogo chinês, Xi Jinping, à sua governação. Os encontros em Pequim tinham como objectivo o relançamento das relações bilaterais e um novo foco no investimento chinês.

No primeiro dia de visita, o Presidente de Angola conseguiu atingir um dos objectivos que o levou à China: o financiamento. O Banco de Desenvolvimento da China vai conceder um novo empréstimo a Luanda de dois mil milhões de dólares, uma verba que será destinada a financiar projectos estruturantes no país. “Para sermos bem-sucedidos, precisamos dos recursos financeiros, que prometemos usar bem, exclusivamente no interesse público, no interesse da economia e do desenvolvimento sócio-económico do país”, declarou João Lourenço.

O Presidente Xi Jinping, por sua vez, enalteceu o combate à corrupção e “reformas profundas” lançadas pelo homólogo angolano durante um encontro no Grande Palácio do Povo, em Pequim. “Após ser eleito presidente, [João Lourenço] impulsionou reformas profundas, combateu a corrupção e abriu-se ao mundo, com políticas que têm o apoio do povo angolano”, afirmou Xi.  “Angola está a conseguir acelerar o seu desenvolvimento e acredito que vai registar progressos ao longo dos próximos anos”, acrescentou.

As autoridades angolanas e chinesas assinaram também um acordo de promoção e protecção recíproca de investimentos e outro para eliminar a dupla tributação e prevenir a fraude e a evasão fiscais.

Esta foi a segunda visita de João Lourenço a Pequim no espaço de 40 dias, depois de, no início de Setembro, ter participado na terceira cimeira do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC).

Representantes da comunidade angolana de Macau esperam que a visita do presidente angolano João Lourenço a Pequim sinalize uma nova fase nas relações sino-angolanas, com enfoque na procura do investimento mais estável e novas vias de financiamento chinês.

“Seria bom que Angola conseguisse assegurar algumas coisas que não alcançou nos primeiros acordos com a China, nomeadamente, a participação dos quadros angolanos em todos os grandes projectos de infra-estruturas”, começa por salientar Alexandre Correia da Silva, presidente da Associação Angola Macau (AAM).

Lourenço procura atrair um tipo novo de investimento chinês que não passe apenas pela obtenção de financiamentos, mas também por investimento estável e durável em Angola. “Essa é uma das questões-chave”, sublinha Correia da Silva, advogado angolano radicado em Macau há mais de três décadas e fundador da AAM, criada em 2005. Já há várias empresas estabelecidas em Angola, “mas ainda não há investidores chineses como na Europa porque temos restrições”, sublinha Correia da Silva, argumentando que é preciso abrir ainda mais a porta e criar melhores condições para o investimento direto externo.

Um outro advogado, Carlos Lobo, presidente da recém-criada Câmara de Comércio de Angola em Macau, também realça a importância de atrair novos investimentos chineses para Angola. O desenvolvimento de infra-estruturas continuará a ocupar um lugar central, “agora com o enquadramento da Iniciativa Faixa e Rota”. “Julgo que esta visita sinaliza um relançamento da relação com Pequim”, aponta Carlos Lobo.

ARTIGO