Domingo, Maio 31, 2020
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Uma livraria que é montra da cultura portuguesa

Detida pelo Instituto Português do Oriente (IPOR), a Livraria Portuguesa de Macau é uma das grandes montras da cultura portuguesa no território. Para além de funcionar como local de venda de livros e de outros produtos culturais, são organizadas regularmente no espaço situado na Rua de São Domingos sessões de apresentação de livros e exposições. 

Texto Paulo Barbosa

A livraria tem uma galeria na cave que está aberta para a realização de todo o tipo de eventos por instituições ou particulares, por regra ligados à comunidade portuguesa. “É para nós muito importante que a livraria responda às expectativas da comunidade portuguesa – ou melhor, de todos os falantes de português em Macau –, mas temos procurado atrair um público mais vasto, de residentes de Macau que não dominam a língua portuguesa e também de turistas”, conta o gestor do espaço, Ricardo Pinto. “Daí uma maior diversidade de produtos, e daí também que algumas das iniciativas que temos levado a cabo na livraria tenham sido da responsabilidade de pessoas ou instituições sem qualquer ligação à comunidade portuguesa.”  

Questionado pela MACAU sobre o tipo de livros mais vendidos, o gestor revela que os livros escolares e os livros de ensino da língua portuguesa estão entre os mais vendidos. Quanto aos critérios para a importação de livros, o gestor explica que “é procurado um equilíbrio entre lançamentos recentes e obras clássicas, entre ficção e não ficção, entre obras literárias de natureza mais erudita e outras mais populares. A Livraria Portuguesa, até por ser a única com estas características em Macau, não pode ser uma livraria de nicho; tem de garantir uma oferta muito diversificada, para acorrer aos interesses e às necessidades de públicos muito variados.” 

Pinto enumera os muitos problemas relacionados com a importação de livros a partir de Portugal: “Desde logo, o facto de não haver voos directos entre Lisboa e Macau. Isso faz com que a importação custe cerca de quatro euros por quilo, quando entre Londres e Hong Kong, por exemplo, esse valor é de apenas um euro por quilo. Depois, há que contar com o preço elevado dos livros em Portugal; a pulverização da edição por muitas grandes e pequenas editoras; as dificuldades sentidas pelas distribuidoras em Portugal; a circunstância de ter de se pagar um despacho de exportação por cada fornecedor, e não por cada transporte; o facto de, dada a distância e o custo do transporte, não se poder trabalhar em regime de consignação com a maioria dos fornecedores, o que obriga a um grande investimento em livros que, numa pequena ou maior parte, jamais serão vendidos. Procuramos ser criteriosos na escolha dos livros importados, mas é naturalmente impossível garantir que haverá clientes para todas as obras seleccionadas.” 

Dadas estas dificuldades, seria possível ter em Macau uma livraria que vendesse essencialmente livros portugueses sem apoio institucional? Pinto está convencido que tal projecto seria inviável. “As livrarias estão em crise em todo o mundo; uma livraria em Macau, a milhares de quilómetros de distância de Portugal, debatendo-se com todos os problemas relacionados com a importação de livros já mencionados, e vendendo essencialmente livros em português para um mercado bastante exíguo, terá seguramente imensas dificuldades em afirmar-se como um projecto economicamente viável”, resume.  

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