Segunda-feira, Janeiro 25, 2021
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Inovação: o motor para Macau e para o mundo

Líderes mundiais sublinham a importância da inovação e da tecnologia no desenvolvimento mundial e na protecção das populações em contexto de crise, como a da actual pandemia. Macau foi palco da última edição da Conferência do Fórum Internacional de Ciência, Tecnologia e Inovação do Fórum Boao para a Ásia e acabou a ser elogiada pela resposta ao vírus que atinge o globo. Foi a primeira vez que o evento teve lugar na cidade

Texto Catarina Brites Soares | Fotos GCS

O Chefe do Executivo afirmou que Macau vai apostar na inovação para diversificar a economia e desenvolver de forma sustentável a região. A meta foi delineada na abertura da Conferência do Fórum Internacional de Ciência, Tecnologia e Inovação do Fórum Boao para a Ásia, organizada em parceria com o Governo local. Esta foi a primeira vez que o evento foi acolhido por Macau.

“Esta conferência será aproveitada para, tendo a inovação como um importante motor, promovermos a diversificação adequada da economia e o desenvolvimento sustentável de Macau, envidando-se ainda todos os esforços para enriquecer e desenvolver a conotação da prática de ‘Um País, Dois Sistemas’”, afirmou Ho Iat Seng.

O líder do Governo referiu que, enquanto mecanismo de diálogo económico de alto nível e plataforma de diálogo internacional, o Fórum Boao para a Ásia é reconhecido tanto no plano nacional como internacional, contando com uma ampla rede de contactos e crescente influência no contexto global, e sublinhou o papel de Macau neste contexto. “Macau, no seu posicionamento de Centro Mundial de Turismo e Lazer, Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e base de intercâmbio e cooperação, que, tendo a cultura chinesa como predominante, promove a coexistência de diversas culturas, possui claras e únicas vantagens geográficas para desempenhar um papel de plataforma.”

Na cerimónia inaugural do evento, que decorreu em Macau entre 9 e 11 de Novembro, Ho Iat Seng enfatizou que a iniciativa desempenha um papel relevante na promoção da cooperação internacional, na inovação tecnológica e nos novos progressos na construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau.

Ho exortou as empresas a recorrerem a tecnologias avançadas para se actualizarem e estarem na dianteira, permitindo que se crie um modelo de desenvolvimento baseado na relação entre indústrias, sectores académico e de investigação, orientado pelas necessidades do mercado.

Intercâmbio mundial

O Presidente Xi Jinping não esteve presente, mas interveio através de uma carta que foi lida na conferência. Na missiva, frisou que Macau e o Interior do País querem trabalhar com o resto do mundo com vista a reforçar a inovação científica e tecnológica.

Xi Jinping reiterou que Pequim ambiciona e está preparado para promover intercâmbios com os vários países do mundo e argumentou que a contribuição tecnológica chinesa vai contribuir para a recuperação económica global e para defender a saúde da população mundial, com base na cooperação internacional. O líder chinês fez questão de enfatizar que a cooperação é o caminho que trará benefícios mútuos e crescimento global.

Multilateralismo

O vice-primeiro-ministro chinês seguiu a mesma linha. Em um discurso gravado em vídeo, Han Zheng reiterou a importância do multilateralismo e de rejeitar o proteccionismo. “A competição promove o crescimento”, mas a cooperação é o rumo que se deve seguir, defendeu na mensagem.

Já o vice-presidente do Fórum Boao para a Ásia, Zhou Xiaochuan, reiterou a importância da ciência e tecnologia como “a escada do progresso da civilização humana”. “O papel da ciência, tecnologia e inovação no impulso ao desenvolvimento é cada mais evidente, sendo cada vez mais importante o reforço da cooperação e intercâmbio entre as áreas”, alertou.

No discurso que fez durante o jantar de recepção, o responsável destacou três pontos-chave do evento: o “incentivo inovador”, a “vida inovadora” e a “cooperação inovadora”. O simpósio, acrescentou, tem como finalidade analisar a criação e aumentar as forças motoras para impulsionar a inovação, reforçar a aplicação de novas tecnologias na melhoria de vida da população, e aprofundar o intercâmbio e cooperação mundiais nesta área com vista ao desenvolvimento conjunto.

Zhou Xiaochuan destacou o papel de Macau e referiu-se à região como um elo importante entre o Oriente e o Ocidente, com um papel activo no intercâmbio entre as culturas oriental e ocidental, assim como no âmbito da ciência e da tecnologia. “Macau, como uma parte importante do desenvolvimento da ciência e da tecnologia na Grande Baía, irá intensificar o seu papel na promoção do desenvolvimento da inovação e intercâmbio e cooperação internacional na área da inovação”, vincou.

Globalização saudável

Edmundo Ho, antigo Chefe do Executivo e vice-presidente do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, falou noutros benefícios da inovação. “Ao recorrermos à ciência e à tecnologia, podemos levar a globalização para uma direcção mais saudável, mais justa, mais inclusiva e benéfica”, apontou.

O primeiro líder do Governo da RAEM recordou que o mundo atravessa mudanças sem paralelo desde o último século, e referiu-se aos tempos que correm como uma nova ronda de revolução científica e tecnológica, e de grande transformação industrial.

“Os países e regiões de todo o mundo devem adoptar uma abordagem mais aberta relativamente ao intercâmbio e à cooperação internacionais no campo da ciência e da tecnologia, de modo a fomentar um desenvolvimento sustentável e de alta qualidade, fornecendo soluções para o desenvolvimento económico e social, e melhorando a vida das pessoas dos diferentes países (…) Ao recorrermos à ciência e à tecnologia, podemos levar a globalização para uma direcção mais saudável, mais justa, mais inclusiva e benéfica”, frisou.

Edmund Ho focou os esforços de Macau nas áreas da inovação e referiu como exemplo a criação dos quatro laboratórios-chave nacionais. “A ciência e a tecnologia inovadoras tornaram-se num novo cartão de visita de Macau.”

Para o político, a realização da Conferência na região servirá de estímulo para Macau em termos de “vitalidade da inovação, integração de recursos de inovação e reunião de elementos de inovação”.

O fórum, vincou, “visa promover o desenvolvimento de qualidade do nosso país através da inovação científica e tecnológica, assim como a plena adesão à cadeia industrial global e à de inovação”.

Edmund Ho referiu ainda que a ambição é criar condições “para que Macau possa integrar-se no sistema nacional de inovação, promover um desenvolvimento da diversificação adequada da economia local, melhorar o seu estatuto e funções no desenvolvimento económico assim como a abertura nacional, e promover a construção de um centro internacional de inovação científica e tecnológica na Grande Baía e ao mesmo tempo o desenvolvimento nacional impulsionado pela inovação”.

Dixit

“A ciência e a tecnologia devem beneficiar toda a humanidade (…). O mundo enfrenta agora a pandemia da Covid-19 e outros desafios. A China está pronta para trabalhar com o mundo para reforçar a inovação e cooperação tecnológica e científica, e para trabalhar com vista a um contexto mais aberto, inclusivo e de trocas internacionais de benefício mútuo, assim como a contribuir para a recuperação económica global e para a segurança da saúde da população.” – Xi Jinping, Presidente

“A conferência será aproveitada para, tendo a inovação como um importante motor, se promover a diversificação adequada da economia e o desenvolvimento sustentável de Macau.” – Ho Iat Seng, Chefe do Executivo de Macau

“A conferência só pode ser realizada devido ao controlo bem-sucedido [da pandemia] no Interior da China e em Macau.” – Li Baodong , secretário-geral do Fórum Boao para a Ásia

“A tecnologia será fundamental para responder à crise económica resultante da pandemia que já matou mais de um milhão de pessoas.” – Ban Ki-moo, presidente do Fórum Boao para a Ásia e antigo secretário-geral das Nações Unidas

“Hong Kong e Macau são centrais na Grande Baía”, região que quer afirmar-se também como um centro de inovação científica e tecnológica.” – Carrie Lam, Chefe do Executivo de Hong Kong

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O Fórum Boao foi fundado em 2001 e tem lugar todos os anos na cidade que lhe dá nome, Boao, na província de Hainão, no extremo sul do país. É conhecido como o “Davos Asiático” e junta líderes de todas as partes do mundo. Em Macau, teve lugar pela primeira vez a Conferência do Fórum Internacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ISTIF), organizada pelo Fórum e pelo Executivo da região.

O evento incluiu debates sobre a rede de quinta geração, propriedade intelectual, condução autónoma e inteligência artificial. A organização refere que o evento procura criar uma plataforma de diálogo abrangente de alto nível nos meios político, académico e empresarial nas áreas da ciência, tecnologia e inovação. Os objectivos, refere a nota, são “impulsionar a construção de um novo quadro para a governação científica e tecnológica” e “apoiar as Nações Unidas para que atinjam os objectivos da Agenda 2030 para a Sustentabilidade”. Este ano, a conferência reuniu cerca de 100 oradores e mil representantes de 18 países e regiões. A organização estima que o evento tenha tido cerca de 200 mil participantes online e 800 na conferência, incluindo 600 representantes de empresas líderes no sector tecnológico.

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